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Selassie: "É muito desapontante" que preços da luz e das telecomunicações não desçam

O chefe da missão do FMI, Abebe Selassie, considera muito desapontante o facto dos preços da electricidade e das telecomunicações não terem descido e que esta questão é importante para garantir que os sacrifícios são repartidos de forma justa.

Lusa 24 de Março de 2013 às 18:48
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Em entrevista à Lusa por telefone a partir da sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, Abebe Selassie, volta a demonstrar algum desalento das instituições internacionais sobre as reformas no mercado de produto e, apesar de elogiar a tentativa do Governo, diz que a 'troika' vai estar atenta aos desenvolvimentos nestes sectores e se necessário revisitar o que já foi feito.

 

"Penso que o principal objectivo para os preços da electricidade, das telecomunicações e de outros sectores não transaccionáveis é se estão em linha ou começam a cair à medida que a concorrência aumenta ou a procura diminui. Até agora não o estamos a ver e isso é muito desapontante. Se não responderem às condições económicas penso que definitivamente teremos de olhar para o que o se passa e revisitar as reformas", afirmou o responsável máximo da equipa do FMI para Portugal.

 

Abebe Selassie admite que a missão esperava que as reformas fossem mais profundas, como estava inicialmente previsto nesta matéria e como por várias vezes referiram nos comunicados finais das revisões, mas ainda assim diz que o Governo fez o que pode com as limitações que tinham.

 

"Um primeiro conjunto de reformas foi acordado e realizado ao abrigo do programa no ano passado. Não foram até onde gostaríamos que tivessem ido, mas o Governo tentou fazer o máximo que podia face a todas as considerações que tinha de tomar", disse.

 

O FMI diz que irá continuar a analisar o resultado das reformas que já foram implementadas e diz mesmo que para que Portugal precisa de ter uma economia muito competitiva e dinâmica, e neste campo, as empresas destes sectores têm de dar o seu contributo.

 

"Esta é uma área que queremos ser capazes de monitorizar e olhar de muito perto com os nossos colegas da Comissão Europeia em particular. Foram alcançados alguns progressos, mas temos de ver o efeito das reformas e tentar perceber se estão a dar resultados como previsto.

 

Não posso deixar de sublinhar que para Portugal ter sucesso daqui em diante tem de ser uma economia dinâmica, competitiva, com muita concorrência nos mercados de produto e ter as empresas destes sectores a contribuir com a sua parte vai ser muito, muito importante".

 

A 'troika' volta ainda a defender que o debate das rendas excessivas não pode ser esquecido e que dele depende que os sacríficos sejam repartidos de forma justa.

 

"É muito importante que o debate sobre as rendas excessivas em algumas áreas da economia seja revisitado. Este é um aspecto muito importante para garantir uma justa repartição do esforço do ajustamento".

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