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Semana 'horribilis' para as previsões de crescimento. Alemanha e China soam alarmes

Quem antecipava que o início de 2019 poderia trazer melhores notícias do que o final de 2018 está a confrontar-se com uma realidade diferente. Depois do corte de previsões pela OCDE, BCE e China, os dados económicos que chegam confirmam que as nuvens não estão só de passagem.

Angela Merkel com o primeiro-ministro chinês Li Keqiang Reuters
Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 08 de Março de 2019 às 11:52
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Primeiro foi a revisão em baixa das perspetivas de crescimento da China, um dos principais motores da economia mundial. Um dia depois, a OCDE cortava drasticamente a previsão do crescimento mundial. Ontem foi a vez do Banco Central Europeu rever em baixa o PIB da Zona Euro em 2019 e injetar mais estímulos na economia. Uma semana 'horribilis' que termina com os maus dados económicos que foram divulgados esta sexta-feira, 8 de março, na Alemanha e na China.

Comecemos pela terça-feira. No dia de Carnaval, os motivos para folia nos mercados ficaram cativados logo no início da negociação quando da China chegava a notícia de que o crescimento será mais baixo do que o esperado em 2019. Caso o PIB cresça 6% - que é o valor mais baixo do intervalo de previsão -, esta será a menor expansão económica em três décadas na China. 

Ao mesmo tempo que anunciou uma travagem mais acentuada da economia, o Governo chinês tinha na manga uma redução de impostos - através da redução do IVA para a indústria, transportes e construção - e um aumento do investimento público em infraestruturas. Este é o plano de Pequim para combater os efeitos negativos da disputa comercial com os EUA nas exportações chinesas. Apesar das tarifas, o excedente comercial chinês face aos Estados Unidos aumentou em 2018.

No dia seguinte, as previsões intercalares da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) intensificaram os receios com a desaceleração económica, especialmente na Zona Euro. A OCDE passou de prever um crescimento de 1,8% da economia europeia este ano para apenas 1%, abaixo dos 1,3% estimados pela Comissão Europeia em fevereiro. Tal deveu-se ao corte das previsões para a Alemanha (0,7%) e Itália (-0,2%).

Ontem, o Banco Central Europeu seguiu pelo mesmo caminho: cortou significativamente as previsões de crescimento da Zona Euro para 2019, assegurou que não vai subir os juros até ao final de 2019 e anunciou um novo programa de financiamento para a banca europeia com início em setembro. A "vitamina D(raghi)" não animou os mercados - pelo contrário, agravou as perdas e inundou a negociação de pessimismo com a mensagem clara de que a travagem económica é para ser levada a sério. 

Os números da economia que chegaram esta sexta-feira confirmam isso mesmo. Na Alemanha, as encomendas à indústria encolheram 2,6% em janeiro face ao mês anterior, ao contrário do aumento de 0,5% esperado pelos economistas. Esta foi uma queda inesperada - a maior desde junho e que foi provocada pela procura externa - que confirmou os receios de que a maior economia do euro continua a perder ritmo no arranque deste ano. A preocupação é ainda maior quando o PIB alemão escapou por muito pouco a uma recessão técnica (dois trimestres consecutivos de contração) no final de 2018. 

Aos dados alarmantes na Alemanha junta-se a queda de 18,5% das vendas de carros na China em fevereiro pelo nono mês consecutivo, o que também são más notícias para o setor automóvel alemão. A contínua incerteza por causa da disputa comercial também continua a ter impacto nas exportações chinesas que, em fevereiro, diminuíram 20,7%, a maior queda em três anos. Mesmo retirando os efeitos temporários relacionados com o novo ano chinês, as exportações teriam caído quase 5%, segundo a Bloomberg. 

Dúvidas houvesse, dissiparam-se: a desaceleração económica chegou e está para durar pelo menos durante 2019. Só no próximo ano, segundo as previsões da maior parte das instituições, é que as economias voltam a acelerar o ritmo de crescimento. 
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