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Silva Peneda quer saber se os "sacrifícios não foram longe de mais" (act.)

Presidente do Conselho Económico e Social propôs analisar as consequências dos programas de ajustamento no sul da Europa. Silva Peneda reconhece que qualquer ajustamento implica "dor e sacrifício" mas sublinha que é importante perceber "se esses sacrifícios não foram longe de mais quando comparados com os resultados obtidos".

Silva Peneda, presidente do Conselho Económico e Social (CES), propôs este fim-de-semana, em Atenas, a realização de um trabalho conjunto a elaborar pelos Conselhos Económicos e Sociais de Espanha, Grécia e Portugal sobre as consequências económicas e sociais das políticas adoptadas no âmbito dos programas de ajustamento acordados com a "troika".

 

"Sendo certo que qualquer programa de ajustamento implica sempre dor e sacrifício, a questão é a de saber se esses sacrifícios não foram longe de mais quando comparados com os resultados obtidos", sustentou Silva Peneda, numa reunião organizada no quadro da presidência grega, no dia 25 de Abril, em Atenas.

 

 

Pretende-se promover uma análise "técnica, rigorosa e independente no sentido de avaliar o que aconteceu à economia e em termos sociais", analisando indicadores como a distribuição de rendimentos, o desemprego, a evolução de salários ou a pobreza e ponderando, por exemplo, os efeitos do programa de ajustamento no mercado interno.

 

"Nunca ninguém fez ainda uma avaliação deste género. O que existe são análises sob o ponto de vista orçamental e financeiro", justificou o presidente do Conselho Económico e Social, em declarações ao Negócios.

 

 

Financiamento europeu para estudo "independente"

 

A ideia é apresentar uma proposta à Comissão Europeia para "garantir financiamento" que permita uma "participação técnica de elevada qualidade" num trabalho que será no entanto "independente" das entidades que fazem parte da troika. O grupo de trabalho pode ser constituído por académicos nacionais, por exemplo.

 

O objectivo é analisar os resultados do programa formal que existiu em Portugal e na Grécia, mas também das medidas de austeridade adoptadas em Espanha. O projecto, que terá sido bem recebida pelos responsáveis de outros países, ainda está numa fase inicial e "daqui à formalização ainda há vários passos a tomar", refere Silva Peneda, que acredita que poderão estar reunidas condições para começar o trabalho "a seguir ao Verão".

 

No comunicado enviado à imprensa, o presidente do Conselho Económico e Social acrescentou que "os resultados deste trabalho podem ser de grande utilidade para a concepção futura de outros programas que deverão ter em conta, a par da busca de equilíbrios de natureza financeira e orçamental, outro tipo de equilíbrios, também fundamentais, não só nos domínios sociais, económicos, culturais e ambientais mas também na preservação de valores essenciais ao projecto europeu, nomeadamente os relacionados com a dignidade humana".

 

[Actualizado com mais informação às 12h20]

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