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Sindicatos: Adesão à greve dos trabalhadores não docentes das escolas supera 80%

Mais de 80% dos trabalhadores não docentes das escolas aderiram hoje à greve, impedindo a abertura de muitos estabelecimentos, segundo dados da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS).

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Negócios 20 de Fevereiro de 2015 às 14:42
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Em conferência de imprensa à porta da Escola Secundária Passos Manuel, em Lisboa, o representante da federação, Artur Sequeira, apresentou os dados provisórios e disponíveis às 11h, que apontavam para uma adesão "acima de 80% a nível nacional".

 

"Há concelhos totalmente fechados. Há escolas que abriram mas foram fechando à medida que se foi percebendo que o número de trabalhadores que não aderiram à greve não davam condições de segurança suficientes", revelou o coordenador da educação da FNSTFPS, acrescentando que existem ainda estabelecimentos de ensino onde os directores escolares tentaram substituir trabalhadores dos quadros por contratados.

 

Um balanço realizado pela federação a meio da manhã indicava que estavam encerradas 42 escolas ou agrupamentos no distrito de Lisboa, 35 no distrito do Porto, 28 em Coimbra, 47 em Aveiro, 25 em Leiria, 21 em Viseu, 10 na Guarda e oito em Santarém.

 

Os trabalhadores admitem fazer novas greves - "podem ser em dias de exames" - e manifestações, contou Artur Sequeira, sublinhando que "todo o tipo de lutas podem estar em cima da mesa" mas as medidas a tomar serão decididas apenas em reunião com os vários sindicatos.

 

O fim da contratação de desempregados inscritos no centro de emprego para suprir as falhas nas escolas (através de contratos de Emprego-Inserção), a criação de concursos públicos que permita contratar novos funcionários e a alteração da recente portaria que veio definir novos rácios de funcionários são algumas das reivindicações.

 

"A portaria parece um gozo com os trabalhadores", afirmou, lembrando que faltam cerca de seis mil funcionários nas escolas de todo o país e que o problema não ficou resolvido com o diploma sobre os rácios, recentemente publicado em Diário da República.

 

O sindicalista lembrou que foi o "próprio Ministério da Educação que reconheceu que estes são trabalhadores fundamentais para dar apoio aos alunos, famílias e professores mas depois é a selvageria total a forma como trata esses problemas".

 

Artur Sequeira lembrou que o diploma aumenta um trabalhador nas escolas do 1.º ciclo mas diminui em número muito superior os assistentes técnicos nos restantes ciclos de ensino.

 

O sindicalista alertou para a precariedade instalada nas escolas e voltou a enumerar as restantes exigências destes trabalhadores: criar uma carreira específica para o pessoal não docente dos estabelecimentos de educação e ensino, repor as 35 horas semanais de trabalho, negociar um regime de mobilidade dentro dos agrupamentos de escolas e acabar com o processo de municipalização/privatização e o respeito pela escola Pública.

 

"Os trabalhadores das escolas sabem que estão a criar dificuldades às famílias e aos alunos mas dizem só isto: atenção, não se virem contra nós por restarmos a fazer greve. Nós estamos a reclamar a nossa dignidade profissional mas também estamos a reclamar mais qualidade para a escola pública", sublinhou à porta da escola onde trabalham 20 funcionários não docentes, mas apenas três se apresentaram ao serviço hoje.

 

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