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Só 18% dos medicamentos fora de uso são recolhidos

A associação ambientalista Zero propõe a criação de incentivos a atribuir aos consumidores, através de um sistema de concessão de pontos pelas embalagens entregues que possam ser convertidos em descontos.

Correio da Manhã
Lusa 13 de Outubro de 2019 às 10:39
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A associação ambientalista Zero lamentou hoje que a recolha de medicamentos fora de uso continue a registar níveis muito reduzidos e defende medidas que estimulem a entrega destes resíduos bem como o alargamento da rede de recolha.

Depois de ter analisado o relatório da Valormed – entidade responsável pela gestão das embalagens vazias e medicamentos fora de uso – a Zero concluiu que os números não são animadores, tendo em conta uma taxa de recolha de 18% registada em 2018.

"Apesar de ter ocorrido um ligeiro aumento na taxa de recolha destes resíduos, face ao ano 2017, a mesma continua a ser muito baixa, cerca de 18%, denunciando, mais uma vez, a necessidade de reforçar a sensibilização e estimular os portugueses para a entrega dos resíduos nas farmácias, bem como de alargar a rede de recolha", indica a associação ambientalista, em comunicado hoje divulgado.


Em 2018, o número de embalagens colocadas o mercado atingiu os 307 milhões de unidades, o que corresponde a um potencial de resíduos gerado (embalagens e medicamentos) de 5.954 toneladas.


Deste total, refere a Zero, os portugueses entregaram 1.051 toneladas de resíduos nas farmácias, número que representa "apenas mais 75 toneladas do que em 2017".

Em 2017, foram recolhidos 17% dos medicamentos comprados, tendo sido colocadas no mercado 304 milhões de embalagens.


Perante as "conclusões pouco animadores" a que os números lhe permitiram chegar, a Zero defende a criação de incentivos a atribuir aos consumidores, através de um sistema de concessão de pontos pelas embalagens entregues que possam ser convertidos em descontos.


A associação ambientalista quer ainda que o Ministério do Ambiente avance com o despacho que permitirá alargar os pontos de recolha à rede de parafarmácias existentes no país.


A Zero assinala também que a presença de compostos farmacêuticos nas massas de água "é cada vez maior", sendo necessária uma "maior exigência na abordagem à presença desses compostos nas águas residuais" que resultarão parcialmente da "incorreta deposição de restos de medicamentos no sistema de saneamento".

Neste contexto, defende a realização de ações de sensibilização sobre os resíduos dos medicamentos e riscos que representam e a realização de estudos que permitam aferir o grau de conhecimento dos consumidores sobre esta questão.

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