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Sócrates inicia hoje conversações para garantir Governo para "quatro anos"

José Sócrates, indigitado primeiro-ministro nesta segunda-feira pelo Presidente da República, inicia hoje uma ronda de conversações com os partidos da oposição para sondar a possibilidade de acordos que assegurem ao seu Governo, agora minoritário, condições para governar durante quatro anos .

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 14 de Outubro de 2009 às 10:14
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José Sócrates, indigitado primeiro-ministro nesta segunda-feira pelo Presidente da República, inicia hoje uma ronda de conversações com os partidos da oposição para sondar a possibilidade de acordos que assegurem ao seu Governo, agora minoritário, condições para governar “durante quatro anos”.

As delegações do PSD (de manhã) e do CDS-PP (já à tarde) são as primeiras a serem recebidas em São Bento, lideradas por Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas, respectivamente. Amanhã seguem-se as do Bloco de Esquerda, coordenado por Francisco Louçã, e do PCP, dirigido por Jerónimo de Sousa.

Depois de Ferreira Leite ter recusado “qualquer entendimento” com José Sócrates, a única opção de aliança que aritmeticamente garante ao primeiro-ministro estabilidade governativa é com o CDS-PP, que detém, conjuntamente com o PS, um número suficiente de lugares no Parlamento para perfazer uma maioria absoluta.

Fonte do Largo do Caldas, citada hoje pelo jornal “i”, afirma que o partido de Paulo Portas não está disponível para uma aliança formal, mas não rejeitará em nome do estatuto de “partido responsável” negociar um pacote de medidas que lhe permitam ajudar o Governo “a terminar o mandato com dignidade”.

Já acordos à esquerda, e não obstante a abertura que tem sido crescentemente revelada por Jerónimo de Sousa, esbarram com a matemática e com a intransigência de Louça, já que, para alcançar a maioria parlamentar, exigiram uma pan-aliança PS-BE-PCP. Outra hipótese, de concretização mais incerta e distante no tempo, passa por um entendimento PS-PSD, na eventualidade de a liderança social-democrata trocar de mãos até à Primavera, antes da aprovação do Orçamento do Estado, e de, no lugar de Ferreira Leite – que termina oficialmente o seu mandato em Maio – passar a estar alguém menos avesso a acordos com Sócrates.

Ontem, em entrevista à TVI, Passos Coelho confirmou que concorrerá à liderança dos sociais-democratas e deixou em aberto a possibilidade de, na eventualidade de vencer, viabilizar o Orçamento do Estado para 2010 e fazer acordos pontuais com a bancada “rosa”.

“Temos de ser responsáveis”, disse, argumentando que meses depois de o PS ter ganho as eleições nas urnas dificilmente os portugueses compreenderiam que o PSD apresentasse uma moção de rejeição ao programa do Governo ou mesmo chumbasse o Orçamento do Estado. Essa – disse – não pode ser uma opção a ser usada de ânimo leve.

“Como partido responsável”, o PSD não pode sequer antecipar o “chumbo”, como já deu a entender Ferreira Leite, sem sequer conhecer o documento. Um “não”, acrescentou Passos Coelho citado pelo “Público”, só seria inevitável caso Sócrates insista em não ter medidas de controlo da despesa pública ou um a política de investimento público produtivo.

Segundo fonte de São Bento, citada pela agência Lusa, as reuniões de hoje e amanhã de José Sócrates com as delegações dos partidos "não terão limite de tempo". "Tratar-se-ão de reuniões de trabalho sem limite de tempo. Houve a preocupação de dar tempo para que tudo possa ser discutido", declarou a mesma fonte.

Sócrates receberá os partidos em São Bento acompanhado por Pedro Silva Pereira e Vieira da Silva, respectivamente ministros da Presidência e do Trabalho e da Segurança Social do Governo cessante, e que fazem desde 2005 parte do chamado "núcleo duro" do Executivo.

O primeiro-ministro promete sobretudo diálogo – palavra que repetiu mais de uma dezena de vezes, logo após ter sido indigitado por Cavaco Silva para chefiar o próximo Executivo. "Quero assegurar-vos que a minha vontade é estabelecer um quadro de diálogo político que permita ao país ter a consciência que necessita de ter um Governo de quatro anos e um Governo estável, que responda aos problemas do país", garantiu.



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