Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Socialistas franceses pedem demissão de Durão Barroso

O presidente da Comissão Europeia diz que é "reaccionária" a exigência de excluir o sector audiovisual europeu das negociações para um acordo de comércio livre entre a UE e os Estados Unidos. Não referiu nomes, mas os socialistas franceses acusaram o “toque” e reagiram com violência.

Negócios com Lusa 17 de Junho de 2013 às 13:58
  • Partilhar artigo
  • 54
  • ...

O presidente da Comissão Europeia acredita na protecção da diversidade cultural, mas que rejeita isolar a Europa e, em entrevista ao International Herald Tribune publicada nesta segunda-feira, qualificou de “reaccionária” a exigência de excluir o sector audiovisual europeu das negociações em curso para um acordo de comércio livre entre a UE e os Estados Unidos.

 

O medo de uma invasão cultural norte-americana decorre da “incompreensão dos benefícios da globalização, incluindo do ponto de vista cultural, para alargar as nossas perspectivas e ter o sentimento de pertencer à mesma humanidade”. “Alguns dizem que são de esquerda, mas na verdade são culturalmente extremamente reaccionários", afirmou Durão Barroso.

 

O presidente do Executivo comunitário não referiu nomes, mas os socialistas em França acusaram o “toque” e reagiram com violência. "É espantoso e intolerável. Nada autoriza um presidente cooptado pelos seus amigos de direita no poder na Europa a dar lições à França. Nada autoriza o senhor Barroso a julgar uma decisão unânime do Conselho", diz Jean-Christophe Cambadélis, responsável no PS francês pelas questões europeias e internacionais, que esteve reunido este fim de semana, em Paris, com o chefe do PS português, António José Seguro. Num comunicado, citado pelo “Expresso”, Jean-Cristophe Cambadélis, que é igualmente vice-presidente do PS Europeu, reagiu com extrema violência: "Ou ele (Durão Barroso) volta atrás no que disse, ou parte!".

 

Tentando deitar água para a fervura, um porta-voz da Comissão, também citado pelo Expresso, indicou que Durão Barroso não se estava a referir à França nem às autoridades francesas, mas sim àqueles que "lançaram ataques pessoais contra o presidente, muitas vezes violentos e injustificados". O "reaccionário" referia-se a publicações e afirmações de personalidades políticas e culturais, que incidiam "mais sobre as pessoas do que sobre os argumentos de fundo".

 

As críticas de Durão Barroso surgem depois das longas negociações realizadas na sexta-feira entre os 27 ministros do Comércio da União Europeia para acordar os termos do mandato para negociar o acordo UE-EUA, que será o maior acordo de comércio livre do mundo.

 

Ao fim de 13 horas de negociações, França manteve a insistência na chamada "excepção cultural", que prevê a protecção do sector cultural e a exclusão "clara e explícita" do audiovisual, exigência que acabou por ser aceite com a condição de a Comissão Europeia poder voltar à questão se for necessário.

 

França saudou o resultado das negociações de sexta-feira, mas o comissário europeu do Comércio, Karel de Gucht, afirmou que vai "ouvir o que os amigos norte-americanos têm a dizer" e depois, se for necessário, "pedir mandatos adicionais".

 

Vários responsáveis europeus têm-se oposto à exigência francesa alegando que ela vai dar vantagem aos Estados Unidos numas negociações previsivelmente muito difíceis. Os EUA têm recusado excluir qualquer sector das negociações.

 

A reunião de sexta-feira realizou-se sob intensa pressão, para permitir à Comissão Europeia lançar formalmente as negociações para a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento UE-EUA na Cimeira do G8 que se inicia hoje na Irlanda do Norte.

 

A concretizar-se, o acordo de comércio livre entre a Europa e os Estados Unidos será o maior do género no mundo. Em 2012, o comércio bilateral entre os dois blocos foi de cerca de 500 mil milhões de euros, os serviços 280 mil milhões e os investimentos vários milhões de milhões de euros.

 

Ver comentários
Saber mais reacionária Barroso PS acordo comercial União Europeia Estados Unidos excepção cultural
Outras Notícias