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Sócrates responsabiliza Ministério Público por "fugas selectivas favoráveis à acusação"

O ex-primeiro-ministro reiterou, em entrevista à SIC, a inexistência de perigo de fuga e criticou o Ministério Público pelas "sistemáticas" fugas ao segredo de justiça. José Sócrates voltou a dizer que "o engenheiro Carlos Santos Silva fez-me empréstimos que sempre tencionei e tenciono pagar".

David Santiago dsantiago@negocios.pt 03 de Fevereiro de 2015 às 21:56
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O ex-primeiro-ministro José Sócrates firmou alvo no Ministério Público que acusa de achar "que o que realmente perturba o inquérito é o exercício legítimo do direito de defesa da honra", lembrando que os "reiterados crimes de violação do segredo de justiça" é sempre "de teor sempre favorável à acusação". Sócrates acrescenta que "o ideal do Ministério Público será, portanto, o de um processo onde o arguido esteja em respeito, viradinho para a frente, sem se defender".

 

Concluindo que para o Ministério Público "defender 'é perturbar'". Nesta nova entrevista concedida pelo antigo governante desde a sua detenção na noite de 21 de Novembro, quando regressava de Paris, Sócrates tentou desmontar a ideia da existência de qualquer perigo de fuga. "A verdade é que eu voltei, não fugi", afirmou. Para José Sócrates, o facto de se ignorar o que considera ser a não existência de um real perigo de fuga constitui um "pequeno truque" que é "muito revelador".  

 

Na entrevista por escrito concedida à SIC, José Sócrates explicou que no e-mail enviado pelo seu advogado, João Araújo, para o director do DCIAP no dia da sua detenção, era afirmada a disponibilidade do antigo secretário-geral do PS "ser ouvido neste processo o mais rapidamente possível". 

 

José Sócrates insiste na defesa da sua inocência repetindo que "o engenheiro Carlos Santos Silva fez-me empréstimos que sempre tencionei e tenciono pagar". E isso "não constitui crime, nem aqui nem em lado nenhum do Mundo", conclui.

 

Voltando à carga contra o Ministério Público e aquilo que considera ausência de motivos para a sua detenção feita "para investigar", o agora recluso preventivo no Estabelecimento Prisional de Évora refere que "talvez convenha lembrar o nosso estimável Ministério Público que o que perturba, de facto, o inquérito são as constantes violações do segredo de justiça".

 

Perante as razões invocadas pelo ex-dirigente político, Sócrates deixa algumas questões: "onde é que estão as famosas 'provas' ou os 'fortes indícios' dos crimes que me imputam? E, ao certo, de que crimes concretos é que estamos a falar?"

 

O próprio prontifica-se a responder dizendo que até ao momento em que haja uma resposta para estas perguntas, "esta prisão preventiva [não] se justifica nem este processo pode ter futuro". Por fim, relativamente ao hipotético afastamento de alguns amigos e camaradas de partido desde a sua detenção em finais de 2014, José Sócrates esclareceu ter com ele "os amigos de sempre e os que sempre quis ter".

 

José Sócrates foi detido por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal agravada.

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