Política Sofrimento com a derrota de 86 foi aproveitado por Freitas do Amaral para uma "série de pequenas vitórias"

Sofrimento com a derrota de 86 foi aproveitado por Freitas do Amaral para uma "série de pequenas vitórias"

Diogo Freitas do Amaral morreu esta quinta-feira, aos 78 anos.
Sofrimento com a derrota de 86 foi aproveitado por Freitas do Amaral para uma "série de pequenas vitórias"
Lusa 03 de outubro de 2019 às 13:55
O ex-líder do CDS Diogo Freitas do Amaral admitiu ter sofrido "um bocado" com a derrota nas presidenciais de 1986, a aposta mais alta da sua carreira política, embora tenha aproveitado para dar a volta e transformá-la "numa série de vitórias" mais pequenas.

"Eu consegui sublimar essa derrota e transformá-la numa série de vitórias que, cada uma delas, é menor do que tinha sido a vitória das presidenciais, mas que, no seu conjunto, me recompensam inteiramente do tipo de vida política que tive, uma vida muito cheia, muito preenchida, muito interessante, e que foi muito enriquecedora do ponto de vista cultural" reconheceu, na entrevista à Lusa, o ex-líder democrata-cristão, quando já se encontrava doente, em junho de 2019.

Como exemplos, recordou que foi presidente das democracias-cristãs em Bruxelas, presidente da Assembleia-geral da ONU, em Nova Iorque, ministro independente num governo do PS, ocupando a pasta dos Negócios Estrangeiros, além de escrito vários livros, quer de memórias quer de História de Portugal quer de direito.

Diogo Freitas do Amaral foi derrotado por Mário Soares na segunda volta das presidenciais de 1986, por uma diferença de menos de 150 mil votos (48,8% - 51,2%). Na primeira volta, alcançou 46,3% dos votos contra 25,4% de Mário Soares, que entrou na corrida a Belém com cerca de 8% nas sondagens.

Na eleição presidencial de 1986, que marca a carreira política de Freitas do Amaral, o socialista Francisco Salgado Zenha obteve 20,8% e Maria de Lourdes Pintasilgo 7,3%. O candidato lançado pelo PCP nessa eleição, Ângelo Veloso, desistiu e, na segunda volta, os comunistas deram indicação de voto em Mário Soares, que viria a ser Presidente da República durante 10 anos, até 1996.



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