Zona Euro Soros: A saída da Alemanha do Euro teria um efeito quase miraculoso para os países do Sul

Soros: A saída da Alemanha do Euro teria um efeito quase miraculoso para os países do Sul

O investidor húngaro que é conhecido por ter apostado contra a libra esterlina em 1992 defende que a Alemanha deve decidir se quer refazer o projecto europeu no seu formato original ou abandonar a moeda única.
Soros: A saída da Alemanha do Euro teria um efeito quase miraculoso para os países do Sul
Hugo Paula 15 de abril de 2013 às 11:27

George Soros esteve em Barcelona para inaugurar a sede europeia de uma rede de fundações que criou no Velho Continente, e deu uma entrevista ao “El Pais” onde critica o papel desempenhado pela Alemanha na gestão da crise na Zona Euro.

 

Para o investidor, a região tem de combater a crise orçamental dos países do Sul com a emissão de obrigações europeias conjuntas - os chamados Eurobonds. Além de defender a emissão imediata de Eurobonds - medida a que a Alemanha se opõe - o investidor acredita que a política de austeridade que está a ser seguida é errada para responder à crise da dívida.

 

Por isso, o Soros defende que a Alemanha deve decidir entre abraçar o projecto europeu tal como foi concebido originalmente ou abandonar a moeda única.

 

“A Alemanha deve decidir se quer refazer a Zona Euro da forma que estava destinada a ser, o que supõe aceitar as responsabilidades e encargos necessários para avançar nessa direcção, ou, caso contrário, deve considerar sair do euro e deixar que o resto dos países criem as obrigações conjuntas europeias e combatam a crise”, disse ao “El Pais”.

 

George Soros defendeu ainda que a saída da Alemanha não iria levantar problemas aos restantes países do Euro. Pelo contrário. “O efeito sobre os países devedores seria quase miraculoso. De repente, converter-se-iam em economias competitivas e a sua dívida diminuiria enormemente, em termos reais, com a depreciação do euro”, afirmou.

 

Já a Alemanha, teria de lidar com o peso de uma divisa mais forte do que o euro, retirando-lhe competitividade nos mercados internacionais.

 

“O peso do ajuste recairia sobre a Alemanha, que seria capaz de lidar com ele, embora com dificuldades, porque de repente os seus mercados ver-se-iam inundados de importações do resto da Europa. Assim, todos os bens alimentares lhes chegariam de Espanha e de Itália e a maioria seria mais barata do que a produzida pela Alemanha. Teria, talvez, certos problemas com o desemprego. E Espanha recuperava-se.”

 

Não há alternativa ao fim da austeridade

 

O investidor que ficou conhecido por ter apostado contra o Banco de Inglaterra, em 1992, acredita que a Europa não tem alternativa a não ser abandonar as políticas de austeridade e defende que as obrigações conjuntas têm de ser emitidas o quanto antes.

 

“Todos compreendem que não se pode reduzir o peso da dívida reduzindo a despesa pública em condições como as actuais”, afirmou. “Uma vez que o o endividamento é uma relação da dívida com o produto interno bruto (PIB), se se reduz a despesa, baixa-se o PIB numa proporção maior e acaba por se agravar o problema. Isto foi percebido em todo o lado, salvo na Zona Euro.”

 

Soros defendeu que a Zona Euro precisa “de alterar a política que está a empurrar a Europa para uma depressão de longa duração e a aumentar as diferenças e as divergências de competitividade. Isto está a separar cada vez mais os países devedores e credores, criando uma interacção catastrófica.”

 

As obrigações europeias têm de ser emitidas agora, de forma a permitir abandonar as actuais políticas de austeridade que estão a agravar a recessão económica. “A situação continua a deteriorar-se, por isso há que fazer algo mais drástico para alterar a direcção o quanto antes.”

 

“Não há alternativa a converter dívida existente em obrigações europeias. Depois, o custo de financiamento cairia e os juros equilibrar-se-iam ou, inclusivamente, registariam um excedente pelo que haveria espaço para os estímulos fiscais. Seria o fim da austeridade.”




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