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S&P mantém rating e perspectiva de Portugal

A notação financeira de Portugal mantém-se no primeiro nível de "lixo" na classificação da Standard & Poor’s, com a perspectiva a permanecer "estável".

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 16 de Setembro de 2016 às 16:39

A Standard & Poor’s decidiu esta sexta-feira, 16 de Setembro, manter o rating da dívida soberana de longo prazo de Portugal em "BB+", ou seja, no primeiro nível de "lixo" – tendo esta denominação por recair numa categoria de investimento especulativo.

 

A agência também não mexeu na perspectiva ("outlook") para a evolução da classificação de Portugal, que continua a ser "estável".

 
No seu relatório, a S&P diz estimar que o crescimento real do PIB de Portugal ronde 1,2% em 2016 e antecipa que o défice este ano corresponda a 2,8% do PIB, contra 3,2% em 2015.

"A recuperação económica de Portugal irá desacelerar em 2016 sobretudo devido a um abrandamento nas exportações e nas actividades de investimento. Ainda assim, a S&P espera que o governo continue a assumir um compromisso perante políticas que sustentem uma consolidação orçamental adicional", sublinha.

O "outlook" estável "contrabalança as nossas projecções de uma gradual consolidação orçamental nos próximos dois anos com os riscos de uma debilitação do contexto de crescimento externo, de uma demora na desalavancagem do sector privado, dos riscos do sector financeiro e de potenciais desvios no que diz respeito às políticas económicas e orçamentais," refere ainda o documento da agência norte-americana.

Em suma, a S&P destaca que a sua decisão está assente na convicção de que a consolidação orçamental prosseguirá e de que haverá melhorias no perfil de maturidade da dívida pública, além de um posicionamento acomodatício em termos monetários, "contribuindo para manter os custos de financiamento do governo em níveis sustentáveis".

 

"Ao mesmo tempo, o rating continua a estar condicionado por um elevado endividamento dos sectores público e privado, pela fragilidade no sector bancário português e por uma debilidade do mecanismo de transmissão da política monetária, que continuam, na nossa opinião, a levantar obstáculos ao potencial de crescimento económico de Portugal", assinala a agência.

A S&P tinha agendada para esta sexta-feira a possível revisão do rating e perspectiva de Portugal, tendo optado por manter tudo como está em vez de mexer na classificação ou no "outlook" da dívida soberana.

 

As datas de apresentação dos relatórios são indicativas, não tendo as agências que cumprir o calendário que passaram a apresentar às autoridades europeias de supervisão – no qual agendam os dias, do ano seguinte, em que pensam pronunciar-se sobre cada dívida soberana (e que têm de ser sempre à sexta-feira após o fecho das bolsas).

 

Apesar de as agências agendarem antecipadamente os dias em se pronunciarão sobre as dívidas soberanas, podem não o fazer se virem que não há razões que o justifiquem. Da mesma forma, podem pronunciar-se fora do calendário planeado se surgirem circunstâncias excepcionais que a isso as movam.

 

Entre as restantes principais agências, também a Fitch e a Moody’s colocam Portugal no patamar do primeiro nível de "junk". Apenas a canadiana DBRS tem a dívida soberana do país fora de "lixo", no último grau da categoria de investimento de qualidade – o que mantém Portugal elegível para as compras de activos do BCE.


Pelo calendário deste ano, falta uma agência pronunciar-se, se o pretender, sobre o rating soberano de Portugal: a DBRS, a 21 de Outubro.

(notícia actualizada às 17:35)

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