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SPD tem liderança interina tripartida em cargo que ninguém quer

Os sociais-democratas alemães já têm quem lidere o partido até à eleição de um novo líder. São três os líderes interinos que, por agora, assumem a posição que ninguém parece querer assumir de forma permanente.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 03 de Junho de 2019 às 13:46
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A escolha para a sucessão interina de Andrea Nahles como líder do SPD (centro-esquerda) não recaiu num membro destacado dos sociais-democratas germânicos, mas em três.

De acordo com aquilo que avançou esta segunda-feira, 3 de junho, a agência noticiosa DPA, citada pelo Politico, a direção do SPD nomeou duas mulheres e um homem para assegurar a fase de transição do partido até ao congresso que determinará a escolha da nova liderança (apesar de previsto para dezembro deverá ser antecipado).

Manuela Schwesig, atualmente ministra-presidente do Estado-federado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, Malu Dreyer, chefe do governo federal do Estado Renânia-Palatinado, e o líder do SPD no parlamento de Hesse, Thorsten Schäfer-Gümbel.

 

Depois da reunião da direção social-democrata que decorreu em Berlim, Malu Dreyer garantiu, em conferência de imprensa, que o SPD não colocará em causa a estabilidade governativa: "Continuamos fiéis ao acordo de coligação", disse. Antes já a líder da CDU, Annegret Kramp-Karrenbauer, citada pela Bloomberg, defendia haver "boas razões para [o SPD] não abandonar o governo".

 

A governar pela segunda legislatura consecutiva como partido júnior da coligação com a aliança democrata-cristã (CDU/CSU) da chanceler Angela Merkel, o SPD deu continuidade à respetiva erosão eleitoral nas europeias de 26 de maio, em que recuou para terceiro força nacional com apenas 15,8%.

Recorde-se que nas últimas eleições federais, em setembro de 2017, o partido então liderado por Martin Schulz registou o pior resultado em eleições nacionais desde a Segunda Guerra, o que acabou por provocar a demissão do antigo presidente do Parlamento Europeu e a ascensão de Nahles. Esta eleição também assinalou o regresso da extrema-direita (AfD) ao Bundestag.

Foi já Andrea Nahles quem fechou as negociações com Merkel com vista à reedição da "grande coligação", porém a até aqui líder do SPD sucumbiu à pressão depois da derrota eleitoral nas europeias apresentando a demissão neste domingo.

 

A possibilidade de ser escolhido alguém da ala mais à esquerda do partido para novo líder é vista como boa para a afirmação do SPD enquanto alternativa política aos democratas-cristãos e como tentativa de recuperar o tradicional eleitorado operário do partido, contudo tal poderá complicar ainda mais a vida à já frágil coligação de governo chefiada por Merkel, por sua vez também com saída anunciada para 2021.


É que a última eleição para o Parlamento Europeu também desgastou a aliança conservadora de Merkel, que apesar de ter vencido caiu mais de sete pontos percentuais face a 2014. A ascensão dos Verdes contrabalançou a subida da AfD, que acabou por ser menos expressiva do que apontavam as sondagens, porém confirmou a quebra dos partidos tradicionais do centro.


Todavia, a eleição de um líder que optasse por rasgar os acordos de governo com a CDU/CSU para provocar eleições antecipadas é um cenário visto com muito receio pela direção do SPD, já que as sondagens colocam os sociais-democratas a disputar taco a taco o terceiro lugar com a AfD, deixando a segunda posição para uns Verdes em claro crescimento (a última sondagem do instituto Forsa coloca mesmo os ambientalistas à frente da CDU/CSU).

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