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Stiglitz diz que euro pode desaparecer

O euro está ferido e pode não sobreviver, diz Joseph Stiglitz. O Nobel da Economia de 2001 afirma também que a redução de salários como medida de contenção é contraproducente, já que isso diminui a procura, debilitando assim a economia.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 19 de Abril de 2010 às 13:30
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O euro está ferido e pode não sobreviver, diz Joseph Stiglitz (na foto). O Nobel da Economia de 2001 afirma também que a redução de salários como medida de contenção é contraproducente, já que isso diminui a procura, debilitando assim a economia.

A moeda única europeia “corre o risco de desaparecer se não se gerar uma onda de solidariedade, se não se implementarem soluções institucionais”, advertiu em entrevista ao “El País” o economista, que esteve na passada sexta-feira em Espanha para apresentar o seu mais recente livro, intitulado “Queda Livre”.

Stiglitz, que foi assessor de Bill Clinton, considera que “o problema é evidente, mas a lentidão e a debilidade da resposta questionam a sobrevivência do euro”. “Os mercados não são propriamente uma fonte de sabedoria: são predadores, muitas vezes estúpidos, são completamente imprevisíveis e se a Alemanha e o resto da Europa não procurarem soluções, podem provocar estragos”.

O economista não é propriamente optimista quanto ao cenário que se poderá encontrar na saída da crise. “Não tomámos o rumo adequado”, alerta.

O risco do fetichismo do défice

“Há riscos de ataque dos mercados se não se fizer nada; mas há outro risco ainda maior, o de cair no fetichismo do défice, que pode levar os governos a retirarem estímulos e a aumentarem impostos antes de tempo para evitarem esses ataques: isso é muito perigoso e pode desacelerar a economia, conduzindo-a para uma espiral complicada. Os exemplos mais claros são a Argentina e os países do Sudeste asiático”, referiu ao “El País” o professor da Universidade de Columbia.

O economista recorre à crise asiática dos anos 90 como exemplo para a espiral de problemas que se podem suceder.

“A Tailândia foi o primeiro grande país a cair. Os mercados apostaram em seguida que cairia a Indonésia. E a Indonésia caiu. Depois puseram em cheque a Coreia. Bingo. Hong Kong e Malásia seguiram-se de imediato”, relembrou Stiglitz, acrescentando que estes dois últimos países “tomaram medidas e atacaram quem os atacava”. “Sofreram, mas aguentaram com os especuladores. Essa é a lição que a Europa deve aprender. E essa é também a maior decepção da crise: não há solidariedade”, salientou ao jornal espanhol.

Baixar salários debilita procura

Numa entrevista a uma outra publicação espanhola, “El Periodico”, Stiglitz sublinha que o maior problema da Europa é o escasso crescimento da procura. “Qualquer coisa que a trave, debilitará a economia. Baixar os salários iria debilitá-la e seria contraproducente”.

“Nos EUA, flexibilizaram-se os salários e o consumo enfraqueceu. Por isso se espera que a recuperação seja muito lenta. Apesar de ter um mercado laboral flexível e de ter sofrido um impacto da crise menor do que outros países, um em cada seis americanos não tem emprego a tempo inteiro. Temos um mercado laboral flexível e não resolvemos o problema”, explicou Stiglitz ao “El Periodico”.

Relativamente a Espanha, por exemplo, o Nobel da Economia diz que não há solução fácil. “Se não aumentar impostos, expõe-se a ataques, mas é ainda pior se os aumentar antes de haver recuperação, porque isso pode provocar uma desaceleração do crescimento durante anos e isso não a previne propriamente contra um futuro ataque especulativo”, comentou ao “El País”.

E se a Grécia é o Bear Stearns – o banco de investimento que foi resgatado -, a dúvida está em saber quem será o Lehman Brothers, que colapsou em Setembro de 2008. Talvez Espanha? “quem sabe Portugal”, responde o economista ao jornal espanhol.

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