Economia Strauss-Kahn: Portugal vai sofrer "cortes dolorosos por muito tempo"

Strauss-Kahn: Portugal vai sofrer "cortes dolorosos por muito tempo"

O director-geral do Fundo Monetário Internacional, afirmou, em entrevista à TVI, que a situação do País era "insustentável" e defendeu que "um país não pode gastar mais do que aquilo que tem por muito tempo. Esse foi o caso de Portugal".
Negócios 14 de abril de 2011 às 01:16
Numa entrevista concedida à TVI, em Washington, Dominique Strauss-Kahn afirmou que o processo de ajustamento orçamental em Portugal "não vai ser rápido, nem fácil" e admitiu que "Portugal vai sofrer cortes orçamentais dolorosos e durante muito tempo".

"Não vai ser rápido, nem fácil. Nós preferimos ir pela via orçamental. É um processo mais longo, vai demorar mais tempo, mas é mais realista do que outros caminhos. Por isso, não estamos a pedir que seja feito em velocidade máxima", disse Dominique Strauss-Kahn.

Para o director-geral do FMI, "um país não pode gastar mais do que aquilo que tem por muito tempo. Esse foi o caso de Portugal. Não me cabe a mim apontar o dedo a ninguém, mas Portugal tem que voltar a crescer de que maneira for".

Strauss-Kahn defendeu ainda que Portugal precisa de se tornar "mais produtivo, competitivo e aumentar as exportações, no longo prazo", acrescentado que não há nenhuma razão para que Portugal não consiga alcançar estes objectivos.

"Há muitos países na Zona Euro que têm sido capazes de aumentar a sua competitividade nos últimos anos. Não só a Alemanha, que é o exemplo normalmente usado, mas também há outros."

Nesta entrevista, o director do FMI reconheceu, no entanto, que Portugal já lá podia ter chegado. "Sim, mas não vale a pena discutir isso agora. A questão é: olhar em frente e ver o que podemos fazer agora."



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