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Subida dos juros é improvável se euro continuar a subir (act.)

O nível de taxa central do Banco Central Europeu, actualmente nos 2%, deverá manter-se inalterado se o euro mantiver a trajectória ascendente, diz o Banco de Portugal no seu Boletim Económico de Dezembro.

Jorge Campos da Costa jccosta@mediafin.pt 06 de Janeiro de 2004 às 14:29
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O nível de taxa central do Banco Central Europeu, actualmente nos 2%, deverá manter-se inalterado se o euro mantiver a trajectória ascendente, diz o Banco de Portugal no seu Boletim Económico de Dezembro.

«A apreciação do euro e um ambiente internacional menos desfavorável, com consequente impacto negativo sobre a procura externa relevante para a economia portuguesa, tornaria mais improvável uma subida das taxas de juro», diz o Boletim.

Essa eventualidade neutralizaria um dos riscos negativos inventariados pelo BP para o crescimento económico, que seria «a possibilidade de se verificar um aumento das taxas de juro ao longo do período de projecção», aspecto considerado «particularmente importante», «dado o forte aumento, nos últimos anos, do nível de endividamento dos particulares e das empresas, o que constitui um elemento importante de vulnerabilidade da economia portuguesa».

O balanço dos riscos associado ao cenário do BP é «no sentido da baixa», ou seja, há mais probabilidades que os valores do crescimento sejam inferiores ao ponto médio do intervalo do que o inverso. E isso, em primeiro lugar, pelo «papel crucial na recuperação» reservado à evolução da procura externa.

Esta, por seu turno, «tem implícita um elevado ritmo de crescimento económico nos EUA, numa situação de desequilíbrios nas contas externas e nas contas públicas», o que a torna susceptível de «uma revisão no sentido da baixa».

O BP projecta que a procura externa relevante para a economia portuguesa acelere de um crescimento de 2,5% em 2003, para cerca de 5% em 2004 e 7% em 2005, contando com novos ganhos de quota de mercado, ainda que mais moderados do que em anos anteriores.

Além dos desequilíbrios norte-americanos e de uma subida dos juros – considerada, porém, improvável no caso de sustentação da apreciação do euro –, o BP põe no lado negativo da balança de riscos a possibilidade de maiores apertos nos salários do que os considerados e a eventualidade de uma restrição orçamental maior ainda do que a previsível neste momento.

«É possível que a melhoria da situação financeira das empresas, factor essencial para a recuperação do investimento empresarial, tenha de passar por um ajustamento mais acentuado dos salários ou, se este não vier a ocorrer, por uma maior redução de emprego».

Por outro lado, «um factor adicional de risco prende-se com as finanças públicas e a política orçamental. A necessidade de promover medidas orçamentais não contempladas neste exercício, pode, no curto prazo, ter efeitos negativos no crescimento do PIB».

Do lado positivo da balança dos riscos está, por isso, a possibilidade de os cortes previsíveis na despesa pública de consumo e investimento se virem a revelar inferiores aos preconizados pelo BP, que são superiores, por seu turno, aos implícitos no quadro orçamental. Isso teria um efeito positivo no curto prazo, adverte o banco central, mas «terá inevitavelmente que ser corrigido no futuro, com dificuldade acrescida».

Além de um menor aperto orçamental, no lado positivo da balança de riscos o BP considera a possibilidade de uma melhoria mais acentuada na confiança dos consumidores e empresários, levando a mais despesa e, portanto, mais crescimento do que o previsto.

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