União Europeia Sucessora de Merkel: Alemanha tem margem de manobra para contrariar eventual crise

Sucessora de Merkel: Alemanha tem margem de manobra para contrariar eventual crise

Annegret Kramp-Karrenbauer, que sucedeu a Angela Merkel na liderança da CDU, considera que o Governo alemão tem espaço de manobra para combater uma eventual crise.
Sucessora de Merkel: Alemanha tem margem de manobra para contrariar eventual crise
EPA/Lusa
Tiago Varzim 15 de agosto de 2019 às 15:33
Começa a ganhar mais força a ideia de que o Governo alemão poderá ser mais interventivo para prevenir uma crise económica, tal como têm pedido várias instituições como a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), o qual se vê cada vez mais impotente na luta contra a deflação e a travagem económica.

A atual ministra da Defesa, Annegret Kramp-Karrenbauer, que sucedeu Angela Merkel na liderança da CDU, disse, em entrevista à N-TV, esta quinta-feira, 15 de agosto, que a constituição alemã oferece algum espaço de manobra "numa situação de crise". Este comentário surge um dia após o instituto de estatísticas ter revelado que o PIB alemão contraiu no segundo trimestre, reforçando o risco de recessão. 

Em causa está a regra constitucional de que o défice estrutural (o saldo orçamental ajustado do ciclo económico) deve ficar abaixo dos 0,35%, o que implica uma redução gradual da dívida pública. Contudo, a sucessora de Merkel recorda que é possível não cumprir essa regra em situações excecionais, como é o caso de uma crise económica. 

Para Annegret Kramp-Karrenbauer, conhecida por "AKK", o objetivo passa por evitar que a travagem económica se transforme numa crise profunda. Assim, AKK defende que os recursos financeiros que existem devem ser usados para investimentos que criem as condições para que haja maior crescimento no futuro. Ultimamente, na Alemanha fala-se de um pacote de investimentos verdes para acelerar a prossecução dos objetivos de Paris relativas à crise climática que o mundo enfrenta.

Na terça-feira também Angela Merkel, a atual chanceler que deverá cumprir o mandato até 2021, disse que o Governo alemão irá atuar consoante o cenário económico traçado pelos dados do segundo e terceiro trimestre. Num discurso na cidade de Stralsund, citado pela Bloomberg, a chanceler alemã admitiu que a economia está prestes a enfrentar uma "fase difícil" e que o Governo poderá ter de reagir.

"O Governo irá monitorizar de perto os desenvolvimentos económicos do segundo trimestre e depois olhar para o terceiro trimestre. Iremos reagir dependendo da situação", afirmou Merkel. Esta foi a primeira vez que a chanceler alemã - que está no seu último mandato - sugere que o Executivo alemão poderá ter de ser mais pro ativo para responder à travagem económica da Alemanha e da Zona Euro.

Contudo, "até ao momento", Merkel assegurou não haver necessidade de um pacote de medidas orçamentais que estimulem o crescimento. Além disso, um esboço da proposta do Orçamento do Estado para 2020 entregue esta semana no Parlamento mostra que o Governo não pretende mudar a política de não aumentar a dívida pública.

Ontem, em reação aos números do PIB, a federação das indústrias alemãs (BDI) pediu a Merkel para abrir os cordões à bolsa. Para o secretário-geral da BDI, Joachim Lang, os "meses sombrios que se avizinham podem ser anos a menos que o governo [alemão] adote contramedidas robustas". "Depois de uma década economicamente forte com um elevado nível de emprego e orçamentos públicos solidamente financiados, a Alemanha tem espaço de manobra", argumentou, referindo que o país atualmente consegue financiar-se a juros negativos.



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