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Suíça nega que tenha ajudado Alemanha e França a financiarem-se a preços de saldo

Banco central suíço nega conclusões de um relatório da Standard & Poor’s, que relaciona compras invulgarmente avultadas de dívida dos países do centro do euro com a ampliação dos sinais de crise na periferia. Em resposta, a agência de "rating" diz que mantém o essencial da sua análise.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 26 de Setembro de 2012 às 14:58
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Nos sete primeiros meses do ano, o banco central da Suíça terá comprado cerca de 80 mil milhões de euros de títulos de dívida de cinco países nucleares do euro (Alemanha, França, Holanda, Finlândia e Áustria), assegurando o equivalente a 48% das necessidades de financiamento globais previstas para estes países em 2012. As estimativas são da Standard & Poor’s que as contrapõe com o facto de, ao longo de todo o ano de 2011, o banco suíço ter comprado apenas o equivalente a apenas 9% das necessidades de financiamento destes países.

Estas compras massivas, justificadas pela estratégia agressiva mediante a qual o banco central tem tentado travar a apreciação do franco suíço, resultaram “de facto” na reciclagem de fundos para financiar os Estados centrais do euro que “beneficiariam significativamente as rendibilidades das obrigações soberanas mais líquidas, em particular alemãs e francesas”.

Fontes próxima do banco, citadas pelo "Financial Times", sustentam ainda que a descida dos juros associados à dívida francesa, observada a partir de Maio - e que nos prazos mais curtos chegou a apresentar valores também negativos, como era já o caso das "yields" alemãs e suíças – estará muito relacionada com a actuação do banco nacional suíço, já que a situação económica e financeira do país piorou, o que levaria, à partida, a um efeito oposto sobre estes indicadores.

O relatório da S&P – muitas vezes acusada de ter atiçado o fogo da crise das dívidas soberanas, devido às descidas sucessivas de “rating” de vários países europeus e respectivos bancos – vai mais longe, ao escrever que as compras invulgarmente avultadas de dívida dos países do centro do euro acabaram por aumentar os “spreads” face aos juros cobrados aos países da periferia, designadamente Espanha e Itália, ampliando os sinais de crise e criando condições mais favoráveis a novos pedidos de ajuda dos países periféricos.

O Banco Nacional da Suíça (SNB) nega as conclusões do relatório da S&P que diz serem “incorrectas” e decorrerem de um “erro fundamental” por ignorarem “o aumento substancial dos depósitos do SNB noutros bancos centrais e instituições internacionais”, pelo que a conclusão de que foram comprados 80 mil milhões de euros de títulos de dívida de países do “core” do euro é "infundada".

Em resposta, a agência de “rating” admite implicitamente esse erro, mas diz que as conclusões do relatório, ontem divulgado, se mantêm no essencial válidas. “Independentemente da subida de depósitos noutros bancos centrais (que subiram significativamente menos do que as obrigações detidas pelo banco) a nossa análise e os dados do SNB sugerem um aumento muito substancial de compras, nos meses mais recentes, de dívida de países centrais do euro”, refere a agência.
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