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Sydney: um ritmo de vida estranho compensado pela espectacularidade

Andreia Pinho, investigadora científica na área do cancro do pâncreas, está integrada num grupo de trabalho que envolve cientistas e médicos. Ainda resiste a jantar às seis da tarde, uma particularidade australiana.

Negócios 27 de Fevereiro de 2013 às 23:30
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Depois de quatro anos a viver em Espanha, um em Barcelona e três em Madrid, surgiu a Andreia Pinho a oportunidade "não planeada" de ir trabalhar para a Austrália. A aventura fora do país desta natural do Montijo, começa ainda enquanto estudante ao abrigo do programa ERASMUS: rumou a Barcelona e, mais tarde, o doutoramento levou-a até Madrid.

 

Quando o convite para rumar à Austrália surgiu pela voz de uma colega com quem tinha trabalhado em Espanha, Andreia Pinho diz que foi "totalmente inesperado" e por isso a decisão teve de ser "ponderada". Após uma conversa com o marido questionaram-se: "porque não, será uma experiência de vida". E assim decidiram deixar Portugal para trás e "voar" até à Oceânia.


Para esta investigadora científica na área do Cancro do Pâncreas, no Garvan Institute
of Medical Research, a experiência está ainda no início. Integrada num grupo de trabalho
que envolve cientistas e médicos, tem pela primeira vez acesso a amostras de pacientes. Sempre que um paciente é operado para a remoção de um tumor, a equipa da investigadora portuguesa faz a recolha de amostras desse tumor e sequenciam o genoma do mesmo. 

 

O objectivo é comparar com o genoma de pessoas normais de modo a descobrir quais são os genes que estão mutados no cancro do pâncreas. Nesta altura o grupo de investigação tem já uma lista de novos genes, alguns que já "se sabem o que fazem" e porque podem causar cancro, e outros ainda desconhecidos.


Dentro deste grupo, a função da Andreia é descobrir o que fazem estes novos genes e se podem ser a causa de cancro. No futuro, este tipo de investigação pode ter dois efeitos práticos, por um lado encontrar marcadores no sangue que de forma precoce possam detectar cancro do pâncreas e, por outro, permitir um maior conhecimento dos genes para a aplicação de uma terapia dirigida especificamente a cada caso.


Fora de Portugal desde 2006, Andreia diz que a adaptação a Espanha foi "muito fácil" porque estava muito perto de Portugal o que lhe permitia regressar "quase todos os meses". Além disso, o "estilo de vida espanhol" é muito semelhante ao nosso. Na Austrália a adaptação está a ser um pouco mais difícil e, a aumentar essa dificuldade, está a "enorme distância que separa os dois países". Até o fuso horário dificulta a comunicação com Portugal uma vez que, comenta Andreia a sorrir, está sempre "um dia à frente".


Em Sidney, onde vive, Andreia diz que encontrou uma cidade "espectacular" com imensas praias, mas com um ritmo de vida diferente, principalmente no que toca aos horários. Esta portuguesa, que estava habituada aos horários de "nuestros hermanos", jantava às 22 horas mas, na Austrália, o jantar está na mesa às 6 da tarde. Andreia diz que "resiste" e que continua a fazer "uns horários mais tardios": chega mais tarde ao trabalho e depois é das últimas a sair.

 

Os encontros com os cangurus são o "prato do dia": basta sair da cidade ao nascer ou ao pôr-do-sol para se ver cangurus por todos os lados. Diz Andreia que são mesmo mais do que "os coelhos no Alentejo". Neste processo de adaptação a Andreia também já teve de sair
de dentro de água à pressa por causa de um "shark alarm", ou seja, tubarão à vista, mas isso só fez com que os banhos de mar sejam em menor quantidade, apesar da beleza das praias australianas.

 

  

A dificuldade

O fuso horário, nove horas de diferença dificulta a comunicação de Andreia com Portugal.

 

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