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Taj Mahal rejeita dólares norte-americanos

Depois da modelo brasileira Gisele Bündchen, dos governos do Kuwait e da Coreia do Sul, é agora a vez do mais famoso monumento da Índia rejeitar o dólar norte-americano.

Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 20 de Dezembro de 2007 às 12:36
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Depois da modelo brasileira Gisele Bündchen, dos governos do Kuwait e da Coreia do Sul, é agora a vez do mais famoso monumento da Índia rejeitar o dólar norte-americano.

O Taj Mahal, que recebe por ano cerca de 2,5 milhões de visitantes, anunciou, no passado mês de Novembro, que vai deixar de aceitar dólares, para receber apenas rupias.

O ano de 2007 não está a ser fácil para a divisa dos Estados Unidos. A pouco mais de uma semana para terminar o ano, o dólar acumula uma perda de 8,53% face ao euro e regista um ganho muito ligeira (cerca de 1%) face à libra. O dólar acumulou perdas anuais em cinco dos seis anos que já negociou face à moeda da Zona Euro.

Para os analistas, a moeda norte-americana foi apanhada numa espiral negativa à medida que os investidores se começaram a deslocar para a Ásia. "Esta tendência poderá ser alterada? Talvez não totalmente", diz Riordan Roett, professor de Ciência Política na Universidade de Johns Hopkins em Baltimore. "O século da Ásia chegou e os Estados Unidos e a Europa precisam de se ajustar a esta nova realidade", explica Roett.

Por exemplo, a economia chinesa tem crescido a um ritmo anual de 10,4% nos últimos quatro anos. Tudo devido ao aumento, para níveis recorde, das exportações e à entrada de fundos estrangeiros no país. Este ano, o yuan já valorizou cerca de 12% face ao dólar.

Já a economia indiana tem crescido, nos últimos quatro anos, ao ritmo mais elevado desde a Independência, em 1947. Tal como a moeda chinesa, a rupia já acumula um ganho anual de 12% face à divisa dos Estados Unidos.

Dólar está a perder o papel principal

"O dólar não vai recuperar totalmente o seu papel dominante no sistema. No entanto, pode vir a partilhar esse papel com o euro e com a libra", defende Peter Kenen, professor de Finanças Internacionais na Universidade de Princeton. "O que achávamos que podia acontecer num futuro distante pode já estar a acontecer", refer Kenen.

Kenen acredita que o dólar pode deixar de ser a principal moeda de reserva. No segundo trimestre de 2007, as reserva dos bancos centrais em moeda norte-americana caíram para os 64,8%, o que compara com os 71% registados em 1999, ano da entrada em circulação do euro, de acordo com os dados do Fundo Monetário Internacional.

"A moeda de reserva precisa de ser a moeda de poder", diz Lester Thurow, professor de Economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (IMT). "A China pode ultrapassar os Estados Unidos, mas apenas em 2100", prevê Thurow.

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