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Taxa de desemprego surpreende com descida para 15,6% no terceiro trimestre

Os economistas antecipavam um agravamento da taxa de desemprego no terceiro trimestre, depois da queda no trimestre anterior. Contudo, os dados foram contra a expectativa. O desemprego voltou a resvalar. Taxa está em 15,6%, a mais baixa desde o segundo trimestre de 2012, sendo a primeira vez em cinco anos que a taxa cai durante dois trimestres consecutivos e em termos homólogos.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 07 de Novembro de 2013 às 11:06
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A taxa de desemprego voltou a cair em Portugal. Ao contrário da subida estimada, a taxa recuou. 15,6% é o valor da taxa de desemprego no terceiro trimestre de 2013.

 

A taxa de 15,6%, divulgada em comunicado pelo Instituto Nacional de Estatística esta quinta-feira, 7 de Novembro, representa um desagravamento face à taxa de 16,4% do segundo trimestre e de 17,7% do primeiro. No terceiro trimestre do ano passado, a taxa de desemprego era de 15,8%.

 

É preciso recuar ao segundo trimestre de 2012, quando os desempregados correspondiam a 15% da população activa, para encontrar uma taxa tão reduzida.


Os economistas do BPI e do Montepio estimavam, segundo avançou ontem a agência Lusa, uma subida da taxa de desemprego, ao corrigir da forte queda do trimestre anterior. O que não aconteceu.

 

Este é o segundo trimestre consecutivo de recuos - o que ainda não tinha acontecido na nova série de dados do INE (o instituto iniciou uma nova metodologia de contabilização da taxa de desemprego no princípio de 2011, pelo que se iniciou, aí, uma nova série). Contudo, observando também os dados da série de dados anterior, só regressando ao segundo trimestre de 2008 é que se volta a encontrar dois trimestres consecutivos com descidas da taxa de desemprego em Portugal.

 

É também em 2008, mas no terceiro trimestre, que se consegue encontrar algo que só voltou a acontecer no terceiro trimestre de 2013, depois de cinco anos de interregno: a taxa de desemprego diminuiu em termos homólogos, ou seja, na comparação com o ano anterior.

 

Comparação trimestral mostra menos desempregados e mais emprego

 

A taxa de desemprego compara a população desempregada com a população activa. É um facto que a população desempregada deslizou entre Julho e Setembro tanto em relação ao trimestre anterior como face ao mesmo trimestre de 2012. Mas a população activa também caiu quando comparada com o terceiro trimestre do ano passado – ou seja, há menos pessoas disponíveis para trabalhar do que há um ano (os números oficiais continuam a mostrar a fuga de população, sendo que a emigração terá aqui um forte papel).

 

Havia, no período entre Julho e Setembro deste ano, cerca de 837 mil pessoas desempregadas em Portugal. Uma queda de 5,3% em relação aos três meses anteriores, altura em que o número ascendia a 886 mil. Em seis meses, perderam-se mais de 100 mil desempregados. No mesmo período, a população activa manteve-se praticamente inalterada nos 5.392 mil representantes. A taxa de desemprego desceu, nesta análise em cadeia, de 16,4% para 15,6%. No mesmo período, a população empregada aumentou 1,1%.

 

Menor população activa influencia descida homóloga da taxa

 

Na comparação do terceiro trimestre deste ano com o terceiro trimestre do ano anterior, a queda da população activa influencia a descida da taxa de desemprego, de 15,8% para 15,6%.

 

A população desempregada continua a ser, no terceiro trimestre de 2013, de 837 mil pessoas mas, neste caso, a descida é de 3,7% face aos mesmos três meses do ano anterior.

 

Já a população activa resvalou 2,4%, passando de mais de 5,5 milhões de pessoas para menos de 5,4 milhões. Ao mesmo tempo, a população empregada verificou uma redução de 2,2%.

 

A população desempregada caiu em paralelo com a população empregada. Isto significa que não houve um efeito de substituição de uma situação de desemprego para uma situação de emprego. Uma explicação para esta realidade poderia ser o aumento da população inactiva. O que não se verificou: a população inactiva registou, neste período, um aumento pouco significativo (0,6%).

 

A explicação que tem sido apontada para estes números é a saída de população para o estrangeiro (emigração). O INE estima que Portugal perdeu 105 mil pessoas face ao mesmo trimestre de 2012.

 

Comparação da variação homóloga com trimestral

 

Em suma, em relação ao ano passado, a taxa de desemprego caiu num período em que houve menos população activa, menos desempregados e menos empregados.

 

Já face ao trimestre anterior, a taxa de desemprego recuou num período em que se registou mais população activa, menos desempregados e mais empregados.

 

Previsão do Governo é para taxa aumentar no próximo ano

 

O terceiro trimestre do ano engloba os meses de Julho, Agosto e Setembro, pelo que agrega o período de Verão.

 

O Algarve, região dominada pelo turismo balnear, foi, a par da Madeira, a região com quedas mais expressivas do desemprego. Os Açores foram a única região em que o número de pessoas em idade activa sem trabalho mais aumentou.

 

No campo do mercado de trabalho em Portugal, e embora ainda não existam dados oficiais, as colocações por parte das empresas de trabalho temporário aumentaram no terceiro trimestre deste ano.

 

A taxa de desemprego jovem também recuou para 36%, um valor elevado mas que equivalente, ainda assim, a um mínimo de mais de um ano.

 

Apesar da descida da taxa de desemprego nos últimos dois trimestres, revelada nas Estatísticas do Emprego do INE, as estimativas do Governo liderado por Pedro Passos Coelho continuam a apontar para uma subida do desemprego para o próximo ano.

 

De acordo com a proposta do Orçamento do Estado para 2014, que confirma os números acordados com a troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu), a taxa de desemprego em Portugal deverá ficar em 17,7% no próximo ano, o que equivalente a um agravamento face aos 17,4% previstos para 2013.

 

Portugal acompanha Espanha

 

A queda da taxa de desemprego em Portugal entre Julho e Setembro deste ano acompanhou o mesmo comportamento de Espanha. No terceiro trimestre, o país vizinho também verificou uma quebra da taxa de desemprego para 25,98%, ajudada pelo emprego temporário de Verão.

 

Na Zona Euro, também se verificou uma redução da taxa de desemprego em Agosto (neste caso uma descida mensal e não trimestral), mas que correspondeu à primeira queda desde 2011.


O dado económico revelado esta quinta-feira chega numa altura em que o Governo tem insistido na ideia de que há “sinais de crescimento” em Portugal, falando, igualmente, numa “inversão” na tendência económica. Aliás, apesar de ainda não existirem dados oficiais, já se fala em crescimento económico no terceiro trimestre, seguindo-se à expansão do trimestre anterior. 

 

 

(Notícia actualizada pela última vez às 13h28 com mais informações)

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