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Teixeira dos Santos: Ministra das Finanças tem uma melhor ideia "do que deve ser a percepção política da sua imagem"

No balanço que fez dos mandatos dos dois últimos ministros das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos diz que Maria Luís Albuquerque sabe gerir melhor a sua imagem do que Vítor Gaspar.

Bruno Simão
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 03 de Fevereiro de 2015 às 22:25
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O país, neste momento, está melhor nalguns aspectos e pior noutros, em comparação com 6 de Abril de 2011, considera Teixeira dos Santos, que foi ministro das Finanças no governo de José Sócrates e que nesse dia de há quase quatro anos anunciou ao Jornal de Negócios que Portugal iria pedir ajuda externa. "É difícil fazer um juízo global num sentido ou no outro", afirmou em entrevista à RTP esta terça-feira à noite.

 

No seu entender, está melhor no sentido em que, "no último ano, o desanuviamento dos mercados financeiros facilitou o fim, com sucesso, do plano de assistência internacional e o regresso aos mercados, e até em melhores condições do que aquelas que no passado chegámos a ter".

 

Mas, ressalvou, "do ponto de vista social está pior". E deu como exemplo a "taxa de desemprego bem mais elevada", acima dos 13%, "a incidência da pobreza no país, mais vasta e profunda" e "uma classe média que sai muito fragilizada desta crise e, em grande medida, desmoralizada e desmotivada". "É preciso fazer um grande reforço de restaurar a confiança e a esperança", sublinhou Teixeira dos Santos.

 

Para o ex-ministro das Finanças, quando Portugal pediu ajuda "não era expectável que sofresse uma recessão tão profunda e prolongada". Foram três anos de crescimento negativo, mas foram também três anos de recessão bastante prolongada, salientou.

 

"No meu entender, houve uma má gestão da comunicação das políticas aos cidadãos em geral. Muitas das medidas… deu a sensação que se atirava barro à parede para ver como as pessoas reagiam… e só mais tarde é que eram comunicadas. As pessoas começaram a ressentir-se desse estilo de comunicação e foram perdendo a confiança", comentou Teixeira dos Santos, acrescentando que se pisaram até questões de constitucionalidade, "dando a sensação que se estava a ir longe demais nos sacrifícios que se estavam a pedir".

 

O ex-governante refere o episódio da Taxa Social Única (TSA) como um marco negativo deste governo, que levou à grande manifestação de 15 de Setembro de 2012. Nesse momento em que o governo comunicou que iria agravar os encargos dos trabalhadores e aliviar o que competia à entidade patronal, "destruiu-se um elo de empatia e de confiança que teria de existir entre os cidadãos e as empresas e o poder politico. E a partir daí o governo teve muita dificuldade em fazer perceber o sentido das suas políticas. Entrou-se, a partir daí, num período de descrença, de não vale a pena.

 

Teixeira dos Santos diz responsabilizar parcialmente este governo por uma parte da recessão. Se bem que a conjuntura na Europa também não tenha sido favorável, admitiu. "Não podemos assacar inteiramente todas as responsabilidades do mau período económico ao governo". Mas o facto de o governo "querer fazer mais que a troika, querer uma correcção orçamental maior do que o que estava previsto inicialmente no memorando", bem como "a crença ingénua de que existe austeridade com efeito expansionista" agravou a situação. E "Vítor Gaspar foi eloquente ao reconhecer que se enganou e que as coisas não correram como ele esperava", acrescentou.

 

Sobre como classificaria Vítor Gaspar e a sua sucessora, Maria Luís Albuquerque, o ministro das Finanças de Sócrates diz ter "a sensação" que a actual ministra tem uma melhor ideia "do que deve ser a percepção política da sua imagem".

 

[Maria Luís] "tem beneficiado de uma conjuntura externa que tem beneficiado também o país e permitido ao governo apresentar resultados que não são inteiramente devidos à acção do governo, mas que têm mais a ver com medidas do BCE e com o lançamento da união bancária". "Tudo isso foram iniciativas europeias que desanuviaram muito a situação dos mercados financeiros", frisou Teixeira dos Santos.

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