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Teixeira dos Santos: "Não tenho a certeza que o governo não interveio no BES"

Sobre a derrocada do Banco Espírito Santo e sobre se o governo fez bem em não intervir, o ex-ministro das Finanças respondeu "Mas tem a certeza que não interveio? Eu não tenho a certeza que não interveio".

Miguel Baltazar/Negócios
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 03 de Fevereiro de 2015 às 23:07
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A propósito do BES, Fernando Teixeira dos Santos recordou esta noite, em entrevista à RTP, que "o governo aprovou um decreto-lei que transpôs normas europeias para a nossa legislação" e que essa aprovação foi feita à pressa, "com urgência", "sem ter sequer sido anunciada no comunicado final do conselho de ministros", tendo sido o decreto publicado no dia seguinte, sexta-feira – e permitindo assim ao Banco de Portugal anunciar a solução para o BES que apresentou dois dias depois, no domingo de 3 de Agosto de 2014. Solução essa que passou por dividir a instituição financeira num "banco bom" [Novo Banco] e num "banco mau", este último concentrado os activos e passivos tóxicos.

 

Posto isto, "dizer que o governo não interveio, é difícil", resume o ex-ministro das Finanças.

 

O Banco de Portugal, acrescentou Teixeira dos Santos, "veio anunciar uma solução que é o modelo do fundo de resolução preconizado a nível europeu". "Não acredito que se tenha emprestado, ou dotado esse fundo de quase quatro mil milhões de euros, sem o governo se pronunciar e ter dado o seu acordo. Não acredito nisso".

 

Sobre a gestão do caso BPN pelo governo Sócrates, Teixeira dos Santos referiu que, nessa situação, "não tínhamos o figurino deste fundo de resolução. Tínhamos a nacionalização do banco, que foi recomendada pelo Banco de Portugal".

 

Já sobre a aplicação de liquidez da Portugal Telecom no grupo BES [na Rioforte], o ex-ministro das Finanças concorda com "os pareceres de que a brasileira Oi não cumpriu com aquilo que acordou na operação de fusão com a PT".

 

Teixeira dos Santos disse não acreditar que a perda de quase 900 milhões, por parte da PT, "ponha em causa a continuidade de um projecto de fusão". "Pode influenciar o valor da PT, mas não põe em causa o projecto de fusão. A Oi recuou quanto a isso, por isso havia legitimidade para reverter o negócio", afirmou na entrevista à RTP.

 

(notícia actualizada às 23h43)

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