Economia Teodora Cardoso apela a mais empenho ao olhar para o longo prazo

Teodora Cardoso apela a mais empenho ao olhar para o longo prazo

A presidente do Conselho de Finanças Públicas manifestou-se hoje preocupada com o problema demográfico e de produtividade que afecta Portugal, apelando aos governantes o mesmo empenho para olhar para o longo prazo do que para o curto prazo.
Teodora Cardoso apela a mais empenho ao olhar para o longo prazo
Bruno Simão
Lusa 20 de fevereiro de 2018 às 13:35

"No futuro próximo, uma vez atingido o pleno emprego, esgotando o efeito cíclico da retoma, o crescimento da economia terá de assentar em dois factores: o aumento da população activa e/ou o crescimento da produtividade. Em ambos os casos o panorama com que nos defrontamos é preocupante e muito exigente", disse a economista hoje no parlamento.

 

Teodora Cardoso foi hoje ouvida no grupo de trabalho no âmbito da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, relativamente à avaliação do endividamento público e externo.

 

"O problema demográfico e da produtividade não se resolvem espontaneamente, tem que haver políticas", insistiu a responsável aos deputados, referindo que não há em Portugal nenhuma investigação nesta área e que os modelos de outros países não poderão ser simplesmente replicados.

 

"É preciso muito mais trabalho estrutural", sublinhou.

 

É necessário, de acordo com a economista, antes de mais, vontade em reconhecer o problema, e "não interessa de quem foi a culpa", diagnosticá-lo e procurar soluções. 

 

"Os problemas não são insolúveis e nós já mostrámos que somos capazes de resolver os problemas e o nosso problema é mais o médio longo prazo e não o simples curto prazo", disse a economista, destacando, pela positiva, o facto de a retoma não ter sido acompanhada do agravamento do défice externo, "tendo antes assentado em grande parte no comportamento favorável das exportações".

 

"É necessário agora desviar para os problemas de fundo o esforço e a determinação habitualmente aplicados na solução das crises de curto prazo", acrescentou.

 

Segundo Teodora Cardoso, além da queda da população em idade activa, o problema demográfico português resulta do decréscimo da percentagem de indivíduos entre os 0 e os 14 anos (de 27% para 14% da população total entre 1976 e 2015) e no aumento do peso da população com idade igual ou superior a 65 anos para quase o dobro (de 10,5% para 20,5% no mesmo período).

 

A retoma cíclica não está ainda concluída e havendo ainda espaço para o aumento adicional do emprego, ao mesmo tempo que a conjuntura internacional favorável deverá manter-se, impõe-se "dar prioridade à inversão daquelas tendências porque dela depende a capacidade de atingir objectivos mesmo modestos de crescimento económico".

 

Como a experiência passada demonstra, sinalizou, o aumento das despesas públicas não resolve estes problemas.

 

"No curto prazo facilita a retoma cíclica, mas desvia o investimento privado para actividades que não promovem a produtividade, ao mesmo tempo que ignora a demografia. Esta, por seu lado, exerce uma pressão crescente sobre as despesas públicas, que se repercute no saldo primário se nada for feito do lado da produtividade", avisou.

O presidente do Conselho Económico e Social (CES), António Correia de Campos, igualmente ouvido na sessão referiu também a necessidade de uma "visão estratégica" para resolver o problema da dívida portuguesa.

 

"Precisamos de saber muito mais sobre a produtividade e sobre as produtividades sectoriais, olhando transversalmente para a questão", exemplificou o ex-ministro da Saúde.  

 

Para Correia de Campos, cuidar do futuro é cuidar do clima, da demografia, do acolhimento dos imigrantes, entre outros, questões que só serão resolvidas com mais estudos.




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comentários mais recentes
Mr.Tuga 20.02.2018

"longo prazo" para a xuxaria?!?!?
Deixa-me RIR !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Não gastes amanhã o que podes gastar HOJE !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Neves 20.02.2018

Então e o Diabo e o fim do mundo?

AHAHAHAHAHHAHAHA 20.02.2018

Não acerta uma este fossil

fcj 20.02.2018

Eu gostava, sim, era de ouvir desta figura direitola, com aspecto da idade média, dizer que uma das mais importantes medidas (senão a maior) para fomentar o aumento da natalidade seria promoover o emprego estável e com direitos para as famílias estruturarem a sua composição e não ao sabor do mercado

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