Economia Trichet: “É essencial que Portugal confirme metas do PEC”

Trichet: “É essencial que Portugal confirme metas do PEC”

O presidente do BCE juntou-se ao fim da tarde ao coro de vozes que, ao longo do dia, tem vindo a reclamar em Bruxelas um "consenso nacional" em torno das metas do PEC IV, que ditou ontem a queda do Governo.
Eva Gaspar 24 de março de 2011 às 21:36
“É essencial que Portugal confirme o plano que foi concebido e aprovado”, disse Jean-Claude Trichet.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE) falava à margem da cimeira europeia que decorre em Bruxelas, e que está a ser dominada pela crise política portuguesa, que coloca agora o país mais próximo de um pedido de ajuda externa que todos gostariam de evitar.

Ao longo do dia, a chanceler alemã assumiu de novo papel de pivot, tentando uma derradeira solução para que Portugal não acabe resgatado como a Irlanda e a Grécia.

De manhã, Angela Merkel esteve reunida com Pedro Passos Coelho, no âmbito da reunião do Partido Popular Europeu (ao qual pertencem o PSD português e CDU alemã); e à tarde encontrou-se também a sós com José Sócrates, numa altura em que Fitch tornava público de baixou o “rating” de Portugal.

A chanceler desdobrou-se em declarações de apoio às decisões “corajosas” do agora primeiro-ministro demissionário e lamentado que o Parlamento português não tivesse dado seguimento às medidas “correctas” contidas no PEC IV.

Perante a crise política instalada em Portugal, a chanceler alemã insistiu que a prioridade agora é enviar mensagens muito firmes de que, independentemente de quem venha a liderar o próximo Governo, as metas prometidas de redução do défice serão mantidas, de modo a tentar sossegar os mercados e evitar uma intervenção externa – dada como cada vez mais incontornável.

É preciso que “todos os responsáveis nacionais confirmem que Portugal está comprometido com os objectivos desse programa”, disse Merkel, referindo-se às metas de redução do défice para 4,6% neste ano, 3% em 2012 e 2% em 2013, ano em que também a dívida pública terá de ser reduzida, invertendo a trajectória de crescimento dos últimos anos.

Barroso apela a "consenso nacional"

Também o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, avisou que é "indispensável" Portugal esclarecer que há um "consenso nacional" quanto à necessidade de cumprir os objectivos traçados para a redução do défice orçamental e da dívida pública.

"Importante é que, tão depressa quanto possível, Portugal esclareça aquilo que me parece ser indispensável: que há um consenso nacional quanto à necessidade de cumprir os objectivos com os quais Portugal já se comprometeu". "Se isso não for feito, com certeza haverá consequências bastante negativas", advertiu o antigo primeiro-ministro e líder do PSD.



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