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Trichet cortou financiamento aos bancos irlandeses dois dias antes do pedido de resgate

Dois dias antes de a Irlanda formalizar o pedido de ajuda externa, a 21 de Novembro de 2010, o Banco Central Europeu, na altura liderado por Jean-Claude Trichet, cortou o financiamento de emergência ao sistema bancário do país.

Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 06 de Novembro de 2014 às 13:40
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O jornal irlandês The Irish Times divulga esta quinta-feira, 6 de Novembro, uma carta "secreta", datada de 19 de Novembro de 2010, de Jean-Claude Trichet para o antigo ministro das Finanças do país, Brian Lenihan, onde o ex-presidente do Banco Central Europeu escreve que o financiamento do sistema financeiro do país estava dependente de um pedido formal de ajuda externa.      

 

"Como indiquei na última reunião do Eurogrupo, a exposição das instituições financeiras irlandesas ao Eurosistema e ao Banco Central da Irlanda aumentou significativamente nos últimos meses para níveis que consideramos preocupantes. (…) O Conselho de Governadores [do BCE] só concederá mais financiamento às instituições financeiras irlandesas se o Governo se comprometer, por escrito, com as quatro seguintes condições", escreveu Jean-Claude Trichet.

 

O antigo presidente do Banco Central Europeu começava por exigir ao Governo irlandês, na altura liderado por Brian Cowen, que enviasse um pedido de "apoio financeiro ao Eurogrupo". "O pedido deve incluir o compromisso de tomar medidas de consolidação orçamental, reformas estruturais e reestruturação do sistema financeiro, em conjunto com a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu."  

 

"Estou certo de que está ciente de que é necessária uma rápida resposta antes dos mercados abrirem na próxima semana. Se o Governo irlandês não avançar com medidas concretas, a tensão nos mercados pode continuar a escalar, possivelmente de forma disruptiva", alertava Jean-Claude Trichet nesta carta datada de 19 de Novembro de 2010, sexta-feira.

 

A verdade é que a Irlanda formalizou o pedido de ajuda externa dois dias depois, a 21 de Novembro, domingo, da missiva de Trichet. O pedido foi, imediatamente, aceite pelos parceiros europeus.

 

Nesse domingo, o ministro das Finanças irlandês explicou aos seus colegas do Governo que o pedido de ajuda serviria para "para impedir o colapso do sistema bancário da Irlanda, tendo reconhecido pela primeira vez que "os bancos são um problema demasiado grande para o país".  

 

Na altura, a banca irlandesa vivia graves dificuldades devido, por um lado, à crise do subprime, e, por outro, ao colapso do mercado imobiliário do país que obrigou a banca a reconhecer milhares de milhões de euros de imparidades para crédito malparado. Uma espécie de "subprime" irlandês que levou o Governo a injectar (antes da ajuda externa) 30 mil milhões de euros nos três maiores bancos do país (Anglo Irish Bank, Bank of Ireland e AIB) e a criar a Agência Nacional de Gestão de Activos, entidade que adquiriu grande parte dos créditos em incumprimento. 

 

(Notícia actualizada às 13h56)

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