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Trichet pede mais dinheiro e mais flexibilidade para fundo de resgate do euro

O Banco Central Europeu (BCE) subiu de tom no seu apelo para que os Governos do euro reforcem a dotação e permitam simultaneamente um uso mais flexível do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) para travar a onda de contágio da crise da dívida soberana.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 14 de Dezembro de 2010 às 12:30
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Pela primeira vez pela voz do seu presidente, e de uma forma absolutamente taxativa, Jean-Claude Trichet disse que “estamos a pedir uma flexibilidade máxima e uma capacidade máxima, em termos quantitativos e qualitativos” do FEEF.

Em declarações proferidas ontem à noite, e que estão hoje a ser citadas pela agência Bloomberg, Trichet repete os apelos já lançados pelo seu nº2, Vítor Constâncio, e pelo presidente do Banco central da Alemanha, Axel Weber, que consideram que não cabe a Frankfurt socorrer bancos privados em risco de insolvência, e que essa é uma missão que tem de ter na retaguarda os Governos do euro e não uma autoridade monetária cuja primeira missão é velar pela estabilidade dos preços.

O pedido de Trichet surge em vésperas de uma cimeira europeia crucial. Quinta e sexta-feira, os líderes europeus reúnem-se em Bruxelas para debater se a solução transitória para resguardar o euro – o FEEF – dispõe dos meios e dos instrumentos necessários. A Alemanha acha que sim, ao contrário da maioria das capitais.

Ao mesmo tempo, os líderes deverão chegar a um acordo de princípio sobre uma solução mais permanente para o pós-2013, com a Alemanha e a França a defenderem um mecanismo de resolução de crises de dívida soberana que inclua a possibilidade de perda de capital para os detentores privados de títulos do tesouro, ao passo que Luxemburgo, Itália, Espanha e Portugal preferem a criação de uma agência europeia para gerir conjunta, ainda que parcialmente, as emissões de dívida dos países do euro.


FMI também a favor

A favor de um reforço do FEEF também está o Fundo Monetário Internacional (FMI). Na opinião do seu secretário-geral, Dominique Strauss-Kahn, é preciso reforçar, desde já, as linhas de defesa do euro, para que a Zona Euro esteja preparada para a eventualidade de uma intervenção nos “grandes” – designadamente, Espanha e Itália.

“Há argumentos fortes a favor de aumentar os recursos postos à disposição desta rede de segurança e tornar o seu uso mais flexível”, lê-se num documento preparado pelo FMI.

Criado em Maio, no rescaldo da intervenção na Grécia, o FEEF pode mobilizar, até 2013, 750 mil milhões de euros, 500 mil milhões dos quais assegurados pela Europa (60 mil milhões, através do Orçamento da UE e 440 mil milhões através de programas de financiamento lançados pelo próprio Fundo). A este valor, acrescem-se 250 mil milhões de euros das linhas de crédito do FMI.

É ao abrigo do FEEF que será parcialmente financiado o pacote internacional de empréstimos, de 85 mil milhões de euros, à Irlanda. Várias casas de investimento têm divulgado estimativas que sugerem que a dotação actual do fundo seria suficiente para acomodar uma intervenção em Portugal e em Espanha, mas que um eventual contágio a Itália deixaria a Europa sem “munições” para se substituir aos mercados no financiamento de mais países.

A favor de uma dotação mais robusta e da possibilidade de os seus meios financeiros serem usados para também “fornecer um apoio mais eficaz aos sistemas bancários”, o FMI argumenta ainda com o risco do regresso da recessão.


“A recuperação da actividade económica poderá ser prosseguida, mas este cenário pode facilmente ser posto em causa pelas renovadas tensões nos mercados financeiros”, avisa o FMI.
“A tempestade que se abateu sobre a dívida soberana e os mercados financeiros na periferia (do euro) constitui um risco negativo severo”, insiste o Fundo.

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