Economia Troika "cortou" a felicidade dos portugueses

Troika "cortou" a felicidade dos portugueses

Um estudo divulgado pela ONU comprova que os portugueses são hoje menos felizes do que antes da crise. Grécia e Venezuela entre os que mais caíram nos últimos anos num ranking dominado pelos países nórdicos.
António Larguesa 20 de março de 2017 às 14:34

Após cair de 88.º para 94.º na edição de 2016, Portugal recuperou algumas das posições que tinha perdido e surge este ano classificado na posição 89 do ranking da felicidade, divulgado esta segunda-feira, 20 de Março, pela Organização das Nações Unidas (ONU). Com uma pontuação de 5,195 (numa escala de 0 a 10), o país surge entre o Líbano e a Bósnia numa lista constituída por 155 países.

 

A quinta edição do "World Happiness Report", em que participaram perto de três mil pessoas em cada um dos países, mostra que para a felicidade dos portugueses contribuem quase em igual proporção o rendimento (PIB per capita) e os apoios sociais. A generosidade ("ter alguém com quem contar nos momentos difíceis") e a percepção de corrupção nos negócios e no governo são factores analisados neste estudo que dão um menor contributo.

 

No comparativo entre a época 2005-2007, antes do início da recessão global, e o período 2014-2016, os portugueses pioraram (-0,21 pontos) a avaliação à felicidade nas suas vidas. Surgem no 95.º lugar nessa tabela comparativa (com 126 países), que coincide com a aplicação do programa de assistência da troika. O estudo frisa que o desemprego é uma das maiores razões para a quebra da felicidade, afectando também a qualidade do trabalho dos que mantiveram o emprego.

 

Esse efeito combinado da crise económica com o aumento das tensões políticas e sociais é bem visível nas variações registadas no conjunto dos países da Europa Ocidental, com 11 deles a registarem "perdas significativas". Aliás, três dos 15 países que perderam mais felicidade neste período estiveram envolvidos na crise da Zona Euro: Grécia, Itália e Espanha.

 

Os gregos, que já vão no terceiro resgate, surgem inclusive a fechar este pódio indesejável devido à perda registada de -1,099 nessa escala de 0 a 10. Pior só a República Centro-Africana – no ranking de 2017 surge no último lugar – e a Venezuela, comandada por Nicolas Maduro, que atravessa uma grave crise e cujo Parlamento acaba de declarar o estado de emergência alimentar no país. Mesmo com o maior recuo a nível global na última década, o país da América Latina ainda é mais feliz (5,250) do que Portugal, ocupando a 82.ª posição.

 

Alegria brasileira contrasta com tristeza americana

 

Entre os países de língua oficial portuguesa incluídos neste estudo, divulgado esta segunda-feira para assinalar o Dia Internacional da Felicidade, o destaque vai para o Brasil, que nos últimos dez anos subiu ligeiramente os índices de felicidade e ocupa actualmente o 22.º lugar. Os outros dois surgem atrás de Portugal, com Moçambique (113.º) à frente de Angola (140.º).

 

Numa lista em que a diferença entre os dez do topo e os dez do fundo ascende a quatro pontos, o relatório mantém a mesma dezena de países na frente em relação a 2016. Apesar de notar que as diferenças entre eles são tão curtas que não são estatisticamente significativas, a Noruega saltou para a liderança (7,537) e relegou a Dinamarca para a segunda posição. Seguem-se a Islândia, a Suíça e a Finlândia.

 

O estudo dedica um capítulo aos Estados Unidos, que apresenta como "uma história de felicidade reduzida". É que do terceiro posto que ocupava em 2007 entre os países da OCDE, a maior economia do mundo passou para o 14.º lugar dez anos depois. "As razões passam pelo declínio nos apoios sociais e pelo aumento da [percepção da] corrupção", lê-se no estudo, que sublinha que estes são "precisamente os factores que explicam por que é que os países nórdicos fazem muito melhor" neste ranking da felicidade do que a nação agora liderada por Donald Trump.




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