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Trump está a "declarar guerra no Médio Oriente". Tillerson quer "atenção" ao discurso

O representante da Palestina junto do Reino Unido afirmou esta quarta-feira que o presidente dos EUA está a "declarar guerra no Médio Oriente". Sucedem-se os alertas e críticas sobre a possibilidade de Trump anunciar hoje a transferência da embaixada americana para Jerusalém.

Reuters
Negócios jng@negocios.pt 06 de Dezembro de 2017 às 14:30
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Se Donald Trump confirmar o anúncio da transferência da embaixada americana de Telavive para Jerusalém, o presidente americano estará a "declarar guerra no Médio Oriente". Esta declaração foi feita esta quarta-feira, 6 de Dezembro, pelo enviado da Palestina junto do Reino Unido, Manuel Hassassian.

 

Citado pela BBC, este representante palestino considera que o antecipado anúncio de Donald Trump, que falará esta tarde (a partir das 18:00 em Lisboa) em Washington, será um "beijo de morte" para o conflito israelo-palestiniano e para a "solução de dois Estados" na região.

 

Já o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, diz que tal possibilidade é "inaceitável" para o povo da Palestina, que aspira à constituição de um Estado palestino com capital em Jerusalém Leste.

 

De acordo com um porta-voz de Abbas, se Trump mudar a embaixada americana, alterando assim o estatuto da cidade sagrada, as "coisas vão complicar-se". "Vai colocar um obstáculo no processo de paz. Talvez acabe com o processo de paz", disse este porta-voz do líder palestiniano.

 

Ainda do lado dos palestinianos, o Hamas sustenta que a decisão em causa "confirma" aquilo que este movimento islamista sempre pensou, que "os Estados Unidos não são nem serão um negociador honesto".

 

Pelo seu lado, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, mesmo sem se referir directamente ao provável anúncio da transferência da embaixada afirmou que "a nossa identidade histórica e nacional está a receber reconhecimento, especialmente hoje".

 

De uma forma geral, o mundo muçulmano condena a acção americana. Irão, Arábia Saudita, Turquia e Egipto estão, desta feita, de acordo na crítica à decisão de Trump. Concordam que tal decisão pode não apenas colocar em causa o processo de paz e a pretendida solução de dois Esatdos, mas também resultar num agravar de violência na região.

 

O papa Francisco mostrou ter "profunda preocupação" com a situação, enquanto a União Europeia reitera o apelo ao regresso às negociações com vista à constituição de dois países naquela zona do Médio Oriente.

 

Tillerson quer que discurso de Trump seja ouvido "atentamente"

 

O secretário de Estados americano, Rex Tillerson, pediu hoje que o discurso que o presidente dos Estados Unidos fará a partir da Casa Branca seja ouvido na íntegra e "atentamente".

 

Com isto, Tillerson poderá estar a sinalizar que Donald Trump, mesmo anunciando a transferência da embaixada para Jerusalém, alterando de facto o estatuto da região, poderá depois condicionar essa acção a um objectivo concreto como, por exemplo, o compromisso de Israel e da Palestina relativamente uma solução pacífica para o conflito que perdura há décadas.

 

Citado pelo The Times of Israel, o chefe da diplomacia americana garante que Trump está "muito empenhado" numa solução de paz.

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