Mundo Trump sugere que EUA podem não apoiar aliados da NATO que sejam atacados

Trump sugere que EUA podem não apoiar aliados da NATO que sejam atacados

O candidato republicano à Casa Branca deu a entender que Washington poderia não corresponder à cláusula de protecção automática entre membros da NATO em caso de agressão. Trump defende que os Estados Unidos têm de resolver os seus próprios problemas.
Trump sugere que EUA podem não apoiar aliados da NATO que sejam atacados
Reuters
David Santiago 21 de julho de 2016 às 13:31

Donald Trump voltou a fazer declarações polémicas ao deixar subentendido que os Estados Unidos poderiam não apoiar militarmente um aliado da NATO mesmo que fosse activada a cláusula automática de defesa mútua prevista pelo tratado da Aliança Atlântica.

 

Em declarações feitas esta quarta-feira ao New York Times, o agora candidato formal do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, questionado sobre o seu compromisso face ao artigo 5 da NATO no caso de um aliado ser atacado, Trump respondeu que, em primeiro lugar, teria de fazer uma avaliação do cumprimento das contribuições desse país para a Aliança Atlântica.

 

Trump assegura que "preferiria continuar a ser capaz" de assegurar a protecção mútua automática em caso de ataque a qualquer aliado prevista pelo actual tratado, mas só se os restantes Estados-membros cessarem de tirar partido das comparticipações norte-americanas.

 

O candidato à Casa Branca deixou assim claro que se opõe à possibilidade de os Estados Unidos continuarem, quase exclusivamente, a assegurar os encargos financeiros decorrentes das despesas de funcionamento da NATO. Em 2015, apenas cinco dos 28 aliados da organização contribuíram com o mínimo de 2% do PIB definido como meta obrigatória.

 

Já sobre a hipótese de vir a pressionar a Turquia, também um Estado-membro da NATO e que detém o segundo maior exército entre os aliados do Tratado do Atlântico Norte, no sentido de assegurar o respeito pelas liberdades individuais, isto numa altura em que está em curso uma "purga" aos alegados envolvidos no golpe de Estado falhado da semana passada, o polémico multimilionário norte-americano disse que os Estados Unidos devem preocupar-se em "resolver as suas próprias trabalhadas".

 

"Como é que podemos dar sermões quando [temos] pessoas a matar polícias a sangue frio [no nosso país]", explicou Donald Trump. E foi mais longe quando sobre as constantes queixas dos estados Bálticos (Lituânia, Estónia e Letónia), e também da Polónia, sobre as actividades da Rússia com vista ao aumento da sua área de influência estratégica em territórios da outrora União Soviética, Trump insistiu que, num cenário de agressão russa, iria averiguar se os referidos aliados "cumpriram as suas obrigações para connosco".

 

A narrativa de Trump não podia estar mais distante da tradicional posição republicana nestas matérias, muito assente no "messianismo" dos Estados Unidos enquanto "nação fundamental".




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