Economia Armando Vara detido para interrogatório no âmbito da "Operação Marquês"

Armando Vara detido para interrogatório no âmbito da "Operação Marquês"

O ex-ministro socialista Armando Vara foi detido para interrogatório no âmbito da "Operação Marquês" que levou à detenção de José Sócrates. É suspeito dos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, confirmou a Procuradoria-geral da República.
Armando Vara detido para interrogatório no âmbito da "Operação Marquês"
Paulo Duarte
Negócios 09 de julho de 2015 às 22:21

O ex-ministro socialista Armando Vara foi detido para interrogatório no âmbito da "Operação Marquês", após buscas ordenadas pelo DCIAP por todo o país, inclusive na residência de Armando Vara e em instalações da Caixa Geral de Depósitos. Uma fonte ligada ao processo confirmou à agência Lusa que as buscas decorreram entre as 11:00 e as 19:00 na sede da Caixa Geral de Depósitos (CGD), em Lisboa, na residência em Cascais e nos escritórios do ex-governante.


Vara está detido no Comando Metropolitano da PSP de Lisboa e deverá ser ouvido amanhã pelo juiz Carlos Alexandre. A detenção está relacionada com o processo de Vale do Lobo, avançam TVI, Correio da Manhã e Observador.

 

Em comunicado enviado às redacções, a Procuradoria-geral da República confirma as notícias. Refere que na sequência das investigações em curso no âmbito da designada "Operação Marquês" foi emitido "um mandado de detenção fora de flagrante delito, para sujeição a interrogatório judicial, relativamente ao suspeito Armando Vara".

 

"Estão em causa factos susceptíveis de integrarem os crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais", acrescenta o comunicado, segundo o qual foram também realizadas buscas domiciliárias, em instalações de sociedades e numa instituição bancária.

 

Em causa estarão alegadas "luvas" de doze milhões de euros que terão sido paga por Hélder Bataglia no caso Vale do Lobo. A investigação acredita que a comissão foi paga por causa de um empréstimo de 194 milhões de euros concedido pela CGD numa altura em que Armado Vara era administrador do banco, refere o CM. O resort foi comprado, em 2006, através de um empréstimo da Caixa, sendo que o banco do Estado acabou por participar também na operação através de uma sociedade constituída para o efeito. O banco público era então presidido por Carlos Santos Ferreira e tinha Vara como administrador.

 

Explica o Observador que a investigação suspeita que terão existido luvas no negócio. Em 2008 e 2009, terão sido feitas transferências de 12 milhões de euros por Helder Bataglia, um dos acionistas da Vale do Lobo. A partir de sociedades offshore, estas movimentações de dinheiro terão tido como destino contas na Suíça em nome de Joaquim Barroca, gestor do Grupo Lena, indiciado na Operação Marquês, que está em prisão domiciliária.

 

Esse dinheiro terá ido mais tarde para a conta de Carlos Santos Silva, o empresário amigo de José Sócrates. O DCIAP suspeita que o dinheiro terá tido Sócrates como beneficiário final. Em relação ao empreendimento Vale do Lobo, existe ainda o pagamento de dois milhões de euros feitos por um holandês a Santos Silva, que nunca foram explicados.

 

O Ministério Público está a tentar perceber ainda como foram pagas várias empreitadas feitas em Vale do Lobo pela Abrantina, empresa de construção adquirida em 2007 pelo Grupo Lena, noticiou a revista Sábado. A suspeitas relativamente a Vale do Lobo, que recaem sobre José Sócrates, dizem respeito ao facto de o antigo primeiro-ministro ter aprovado o Plano de Ordenamento do Território para o Algarve (Protal) em Maio de 2007, segundo o Diário de Notícias

 

Armando Vara é amigo pessoal de José Sócrates e foi já condenado a cinco anos de prisão efectiva no processo Face Oculta, onde existiam várias escutas suas com o ex-primeiro-ministro. Estava em liberdade à espera de recurso.

 

(notícia em actualização)




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