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Ucrânia alcança acordo com credores para reestruturação da dívida

A Ucrânia chegou a acordo com os credores para uma reestruturação da dívida, depois de cinco meses de negociações com os credores. A Rússia não deverá participar no plano de reestruturação.

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Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 27 de Agosto de 2015 às 12:12
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Cinco meses depois do arranque das negociações, a Ucrânia conseguiu alcançar um acordo com os credores para reestruturar a sua dívida. De acordo com o Financial Times, Kiev consegue assim evitar um incumprimento e reestruturar milhares de milhões de dólares em dívida do Governo. O banco brasileiro BTG Pactual e a Franklin Templeton Investements, ambos credores, aceitaram a proposta de 20% de "haircut" em obrigações do país. Estes dois credores aceitaram ainda que o pagamento da dívida sofra um atraso de quatro anos, segundo a mesma fonte.

"Foram cinco meses muito difíceis", afirmou Natalie Jaresko, ministra ucraniana das Finanças, citada pela Bloomberg. "Estou confiante que os mercados vão receber bem" este acordo, acrescentou.

A Bloomberg explica que o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, procurava alcançar um acordo amplo com os credores antes de os 500 milhões de dólares em dívida atingissem a maturidade no mês que vem. Segundo a ministra das Finanças da Ucrânia, Natalie Jaresko, o país vai suspender o pagamento dessa linha de obrigações bem como uma que vence em Outubro. No entanto, Kiev tem quatro mil milhões de dólares em pagamentos agendados até ao final do ano, incluindo à Rússia. Moscovo já fez saber que não vai participar no plano de reestruturação.

Um acordo final exige a aprovação de 75% dos detentores de dívida num encontro em que têm de estar representados dois terços da totalidade dos credores.

Em Dezembro de 2013, a Rússia comprou três mil milhões de dólares em dívida a dois anos para ajudar o antigo presidente Viktor Yanukovych. Esta verba era o início de um pacote de ajuda no valor de 15 mil milhões de dólares que Moscovo ia conceder a Kiev, porém, com Yanukovych a ser forçado a deixar o poder, essa ajuda foi suspensa.

"Estou a oferecer à Rússia uma oportunidade de reestruturação, que é o mesmo que para todos", disse a ministra das Finanças da Ucrânia. "Espero que participem. É a melhor maneira de despolitizar isto. É a melhor maneira para todos andarmos para a frente", acrescentou.

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, já se pronunciou sobre o acordo alcançado entre a Ucrânia e os credores, quanto ao plano de reestruturação da dívida. Considera que o plano "vai ajudar a restaurar a sustentabilidade da dívida e – em conjunto com os esforços de reforma das autoridades – vai substancialmente ao encontro dos objectivos traçados no âmbito do programa de ajuda do FMI".

"Estou muito contente com o anúncio de hoje e reconheço a atitude positiva quer do comité de credores quer do governo ucraniano", acrescentou. 

(Notícia actualizada às 14h56 com as declarações de Christine Lagarde)

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