União Europeia UE disposta a dar mais 3.000 milhões à Turquia para gerir refugiados

UE disposta a dar mais 3.000 milhões à Turquia para gerir refugiados

A Reuters garante ter tido acesso a um rascunho de proposta em que é referido que a UE estará disponível para duplicar o valor destinado a apoiar a Turquia na gestão das crises migratória e dos refugiados.
UE disposta a dar mais 3.000 milhões à Turquia para gerir refugiados
Bloomberg
David Santiago 07 de março de 2016 às 16:29

Enquanto os representantes das instituições europeias, dos 28 Estados-membros da União Europeia (UE) e da Turquia estão ainda reunidos, a agência Reuters avança que Bruxelas pondera avançar com mais 3.000 milhões de euros para ajudar as autoridades turcas na gestão da crise migratória.

 

Um documento de trabalho a que a agência noticiosa garante ter tido acesso refere que a UE pretende disponibilizar esse valor à Turquia para que, em troca, as autoridades turcas comecem a impedir a constante travessia de migrantes que, partindo do seu território, atravessam o Mar Egeu em direcção às ilhas gregas.

 

Ainda de acordo com a notícia avançada em exclusivo pela Reuters, Bruxelas pretende que a Turquia receba de volta todos os migrantes ilegais que cheguem às ilhas gregas, incluindo os sírios, disponibilizando-se a UE a receber, directamente da Turquia, um refugiado sírio por cada migrante da mesma nacionalidade que abandone a Grécia e seja readmitido pelas autoridades turcas.

 

A oferta deste montante surge depois de a 3 de Fevereiro últimos os líderes europeus terem aprovado a atribuição de 3.000 milhões de euros para ajudar Ancara a gerir e acolher os muitos milhares de refugiados que permanecem no país e que fazem da Turquia, a par do Líbano, o país mais penalizado pela vaga de refugiados provenientes de países em conflito como a Síria e o Iraque. Este apoio foi oficialmente decidido em Novembro de 2015, mas acabou por ser aprovado apenas no mês passado quando a Itália colocou de parte as objecções iniciais ao plano.

 

Estes 3.000 milhões de euros adicionais permitiriam apoiar Ancara no acolhimento de refugiados até 2018, especialmente os provenientes da Síria. A UE oferece ainda à Turquia o levantamento, até ao final de Junho, das exigências de vistos aos cidadãos turcos que queiram viajar para países pertencentes ao espaço Schengen.

 

Para já, certo é que Bruxelas e Ancara continuam reunidos na capital belga, numa cimeira revestida de particular importância e a que, já esta segunda-feira, 7 de Março, a chanceler alemã, Angela Merkel, se referiu como "uma das mais importantes cimeiras". Em causa poderá estar a Europa tal como a conhecemos, tendo em conta a constante adopção de restrições à livre circulação e ao encerramento e controlo das fronteiras decretados vários países de Schengen, designadamente por países da Europa Central. 

Geograficamente exposta à onda de refugiados que diariamente tenta chegar ao espaço comunitário para iniciar a rota dos Balcãs, em direcção a norte e com o objectivo de chegar a países de destino como a Alemanha ou a Suécia, a Grécia tem apelado à solidariedade dos restantes Estados-membros da UE.

A União Europeia faz agora um novo esforço para chegar a um acordo com a Turquia que permita aliviar o esforço grego, um país a braços com graves dificuldades financeiras que a levaram a novo resgate externo, o terceiro em menos de seis anos. 

Este é um assunto delicado e apesar dos bons indícios quanto a um eventual acordo salientados por uma fonte oficial da Comissão Europeia citada pela Reuters, as conversações vão prolongar-se noite dentro. 

(Notícia actualizada às 21:33 com informação sobre andamento das negociações)





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