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Um acordo que demorou sete meses a concretizar-se

Aos poucos e poucos começa a tomar forma um acordo sobre o segundo pacote de ajuda à Grécia. Merkel, Monti e Papademos manifestaram, esta tarde, o seu "optimismo" quanto a um possível entendimento já esta segunda-feira, no encontro do Eurogrupo.

Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2012 às 20:38
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"O encontro decorreu de forma construtiva e os três participantes [Merkel, Monti e Papademos] expressaram confiança de que é possível alcançar um acordo no Eurogrupo de segunda-feira", pode ler-se no comunicado emitido no final do encontro dos três líderes europeus, que decorreu através de vídeo-conferência.

De acordo com o jornal "Athens News", Lucas Papademos falou ainda, por telefone, com o primeiro-ministro holandês Mark Rutte.

Ao longo desta semana, a Grécia cumpriu diversas exigências feitas pela troika para que o plano de resgate fosse aprovado. Entre elas, o compromisso, por escrito, por parte dos líderes dos maiores partidos políticos – Pasok e Nova Democracia – com as medidas de austeridade aprovadas no parlamento grego no passado domingo.

As últimas medidas aprovadas pelo parlamento incluem, por exemplo um corte de 22% do salário mínimo, cortes nas pensões e nos gastos com saúde e defesa.

Em aberto continuam, no entanto, as negociações com os bancos. Mas mesmo neste caso, existiram, esta semana, sinais positivos, que poderão facilitar a obtenção de um acordo.

O Banco Central Europeu (BCE) deverá trocar os títulos de dívida pública da Grécia que detém – adquiridos no âmbito do seu programa de compra de activos - por outros de igual estrutura e valor nominal mas expurgados das "cláusulas de acção colectiva" (CAC).

Ao avançar para esta troca de activos a autoridade monetária parece estar a criar as defesas que considera necessárias para atravessar o acordo de envolvimento dos privados na redução do valor da dívida grega sem sofrer perdas, o que sinaliza que o acordo pode estar próximo.

Durante esta semana chegou a falar-se na possibilidade de adiar o pacote de resgate até às eleições de Abril. Segundo a Reuters, a Alemanha estaria mesmo a liderar uma frente de países do euro que começa a defender que só se deve emprestar à Grécia o estritamente necessário para garantir que o país terá meios para ressarcir os credores e evitar uma situação de incumprimento desordenado da dívida, que faria mergulhar toda a Zona Euro num contexto de ainda maior incerteza.

No entanto, fontes ligadas ao Governo alemão, garantiram hoje à Bloomberg, que o governo liderado por Angela Merkel opõe-se à hipótese de dividir a aprovação do apoio à Grécia em duas decisões.

As mesmas fontes disseram à agência noticiosa que se a Grécia cumprir as condições para receber ajudar, o pacote de financiamento e a operação de troca das obrigações soberanas deverão ser aprovadas já na segunda-feira.

Assim, no dia 20 de Fevereiro poderá chegar ao fim um longo processo de negociações que teve início na Cimeira Europeia de 21 de Julho, onde os líderes europeus aprovaram o segundo pacote de ajuda à Grécia. Este novo pacote de ajuda ascende a 130 mil milhões de euros.
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