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Um arrefecimento modesto da economia mundial é um fenómeno bem-vindo

Jeffrey Lewis esteve ontem em Lisboa para apresentar o «Global Development Finance 2005», o mais recente relatório do Banco Mundial do qual foi o principal autor. Em entrevista, o economista desdramatiza os riscos de uma nova crise financeira. Diz que o p

Negócios negocios@negocios.pt 08 de Abril de 2005 às 06:02

Jeffrey Lewis esteve ontem em Lisboa para apresentar o «Global Development Finance 2005», o mais recente relatório do Banco Mundial do qual foi o principal autor. Em entrevista, o economista desdramatiza os riscos de uma nova crise financeira. Diz que o preço do petróleo estará prestes a desacelerar e que o BCE não deve mexer nas taxas de juro.

Neste relatório, o BM alerta para o risco de uma nova crise financeira global, em resultado do ajustamento do défice da balança corrente norte-americana, que atinge já o equivalente a 5,6% do PIB, e sobretudo se a subida das taxas de juro nos Estados Unidos provocar um arrefecimento da economia mais acentuado que o previsto. Qual é a probabilidade desse cenário se concretizar?

Esse risco existe, mas é pequeno. O nosso cenário central parte do pressuposto de que os desequilíbrios globais irão ser progressivamente corrigidos e que as medidas apropriadas vão ser tomadas. Mesmo que isso não aconteça, não consideramos que exista um risco tremendo de uma crise financeira global. O risco é mais que a economia mundial sofra uma desaceleração mais acentuada do que o previsto e que essa conjuntura penalize mais os países em desenvolvimento, sendo que há alguns que estão especialmente vulneráveis. Mas, insisto, não estamos a antecipar a probabilidade de uma grande crise financeira.

Ainda assim, aconselham os países em desenvolvimento a reduzirem a sua vulnerabilidade, em especial ao que possa suceder nos EUA, através de um maior esforço de correcção da dívida externa e do reequilibro das reservas?

E muitos países já o estão a fazer desde há algum tempo, tendo aproveitado a conjuntura favorável para refinanciar e reestruturar as respectivas dívidas. Temos observado também melhorias na arquitectura financeira e nos dados económicos fundamentais. Ou seja, o que queremos encorajar é a manutenção do rumo das políticas que têm sido seguidas nestes últimos anos, e não necessariamente a tomada de novas medidas.

Em relação à China, que deverá continuar a crescer a um ritmo acelerado, 7,4% contra 8,3% em 2004, a flexibilização da política cambial promete continuar a ser um tema quente...

Acreditamos que a China fará muito em breve alguma coisa a esse respeito. Não tanto devido às pressões externas, mas porque a flexibilização do câmbio faz todo o sentido no plano interno. Uma das questões que salientamos no relatório é que as medidas de ajustamento que precisam de ser levadas a cabo pelos EUA, pela UE e por algumas economias asiáticas fariam naturalmente mais sentido se fossem realizadas em simultâneo, mas continuam a fazer sentido caso sejam levadas à pratica individualmente. E no caso chinês, o que precisa de ser feito para sustentar o crescimento e a integração no mercado mundial passa pelo fortalecimento do sistema financeira e por mecanismos mais orientados para o mercado, designadamente maior flexibilidade cambial.

Leia a notícia na íntegra na edição de hoje do Jornal de Negócios.

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