Economia Venezuela entra no Mercosul. Paraguai suspenso

Venezuela entra no Mercosul. Paraguai suspenso

A Venezuela vai entrar no Mercosul, na mesma altura em que o Paraguai está suspenso. As decisões foram anunciadas ontem e foram aprovadas na cimeira deste bloco económico que aconteceu sexta-feira em Mendoza, na Argentina.
Venezuela entra no Mercosul. Paraguai suspenso
Alexandra Machado 30 de junho de 2012 às 11:02
Os países membros do Mercosul aprovaram o ingresso formal da Venezuela e suspenderam a participação do Paraguai, depois da destituição do ex-presidente Fernando Lugo.

A entrada da Venezuela no Mercosul foi aprovada pelos parlamentares da Argentina, Brasil e Uruguai, os membros plenos deste bloco, onde Bolívia, Equador, Peru, Chile e Colômbia são membros associados. A Venezuela passará assim de membro associado a membro pleno. O Paraguai opunha-se à entrada da Venezuela no bloco.

Hugo Chávez, presidente venezuelano, afirmou, citado pela Lusa, que esta entrada da Venezuela no Mercosul é uma lição de ética e política para esses enclaves autoritários que ainda existem em vários países das Caraíbas e América e que respondem aos interesses do império norte-americano". Para o presidente venezuelano este "dia histórico" terá "ressonância geopolítica regional". A formalização da entrada da Venezuela como pleno membro terá lugar a 31 de Julho, com uma cerimónia no Rio de Janeiro.

Já o Paraguai será suspenso até Abril de 2013, data em que devem acontecer as próximas eleições presidenciais. O Mercosul considerou ilegítima a destituição de Fernando Lugo que em dois dias teve de sair da presidência do Paraguai. Apesar desta represália, o Mercosul optou por não aplicar sanções económicas. Christina Kirchner, presidente da Argentina, explicou esta opção: "nunca pagam os governos, pagam sempre os povos".

O protesto do Paraguai em relação às conclusões desta reunião do Mercosul, na qual não foi autorizado a participar, foi duplo: pela suspensão do país do bloco e pela entrada da Venezuela. Apesar desta suspensão, o Paraguai vai continuar a receber fundos financeiros para o desenvolvimento das suas infra-estruturas por parte do bloco. Ainda na sexta-feira, segundo os jornais paraguaios, foi aprovada uma ajuda de 59 milhões de dólares para a segunda fase da avenida Norte de Assunção. O Paraguai é a economia mais pequena do Mercosul e a que tem recebido mais fundos.

O ministro das Relações Externas do Paraguai, José Félix Fernández, citado pela Efe, diz mesmo que a suspensão do Paraguai carece de "validade formal e legal". Por isso, acrescentou que a continuidade do Paraguai no Mercosul dependerá do povo paraguaio e de uma reflexão do governo do presidente que sucedeu a Lugo, Frederico Franco. O mesmo governante garantiu que o seu governo vai avançar com as acções necessárias para que a suspensão não produza efeitos. É que para o Paraguai, a mudança de Presidente foi legítima, já que não ocorreu uma ruptura da ordem democrática".

Numa reunião que decorreu após a do Mercosul, também os presidentes ou ministros de 11 dos 12 países da União de Nações América do Sul (Unasur) decidiu suspender o Paraguai até que se restabeleça "a ordem democrática", o que deverá acontecer com as eleições de Abril de 2013, anunciou o ministro das relações exeriores argentino, Hector Timermann. E, citado pelo jornal paraguaio ABC, este mesmo responsável explicou a medida com a preocupação de que a situação do Paraguai não se repita em outros países da região. O presidente do Peru, Ollanta Humala, assumiu a presidência da Unasur.




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