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Vídeo: Hollande vai pôr os países do sul no eixo das decisões da Europa

Hermano Sanches Ruivo, vereador socialista na câmara de Paris, considera que o candidato do PS às presidenciais francesas tem "a solução para que o motor Europa arranque" e pretende renegociar o eixo franco-alemão, alargando a dinâmica aos países do sul.

Lusa 18 de Abril de 2012 às 13:53
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François Hollande, de 57 anos, foi dirigente do partido de Sanchez Ruivo durante mais de uma década e é um dos favoritos na primeira volta das presidenciais do próximo domingo contra o actual chefe de Estado, Nicolas Sarkozy, recandidato ao lugar.

Hollande entrou em campanha com o slogan "A mudança é agora" e o luso eleito Hermano Sanches Ruivo explica que tudo tem a ver com a perspectiva da evolução da sociedade. "O aspeto humano e social tem que ser a parte principal dos nossos desafios, das nossas tarefas. O poder económico e essa sociedade liberal -- da imaginação à implementação -- chegaram ao seu limite", afirmou.

"Em vez de sermos escravos de um sistema que funciona por ele próprio, e que tem regras insuficientes, vamos atingir objectivos sociais - em termos de educação, em relação à juventude, aos idosos, aos desempregados, aos trabalhadores - colocando a questão de como o sistema pode ser útil ao ser humano, e não o ser humano ser útil ao sistema", acrescentou.

O candidato socialista promete uma reforma fiscal para introduzir "mais igualdade" na sociedade francesa e defende a "retoma do crescimento na Europa". A direita do Presidente recandidato acusa-o de falta de experiência governativa e de ter "uma certa dificuldade em tomar decisões".

O autarca refuta essas acusações, diz que François Hollande tem uma "grande capacidade de gerar consensos" e que "é por isso que representa as esperanças de uma grande parte desta sociedade". Ele consegue, acredita, "convencer pessoas de esquerda e de direita a estarem unidas sobre um projecto".

Hermano Sanches Ruivo acusa o Presidente cessante de ter "hiperpersonalizado" a função que exerceu nos últimos cinco anos. E considera que isso está a ter um efeito negativo na campanha: "O sentimento que se tem agora é de que é preciso responder a um ataque pessoal antes de se defender uma ideia. E aí François Hollande também pode marcar uma diferença. Essa hiperpresidencialização é um erro que ele não quer continuar", explicou.

Na Europa, Hollande "criará uma imagem diferente". O autarca acredita que, eleito Presidente, o socialista irá bater-se por uma Europa mais equilibrada, desenhada num eixo que puxa os mais pobres para dentro, em vez de empurrá-los para fora.

"Existe uma absoluta necessidade de desenvolver uma ligação entre a França e os países do Sul, de reequilibrar o eixo das ligações. Ninguém vai dispensar o eixo França-Alemanha, mas ele tem que ser negociado. Essa é a solução para que o motor Europa arranque novamente", argumentou.

A respeito da comunidade portuguesa em França, que se estima que seja de mais de um milhão de pessoas, Hollande tem, "como os outros", muita estrada por caminhar.



Hollande "conhece" e "respeita" os portugueses, mas não lhes enviou uma mensagem directa: "Os franceses de origem portuguesa não têm o sentimento de que alguma coisa tenha sido dita especialmente para eles. Nem nesta candidatura nem nas outras", afirmou o autarca.

É aqui que entram os eleitos de origem portuguesa. Hermano Sanches Ruivo garante que já tem notas no seu caderno de encargos: ensino do português, memória, ligação da comunidade com o país de origem, e o envelhecimento das gerações que chegaram a França nos anos de 1960-80.

A primeira volta das eleições presidenciais em França realiza-se a 22 de Abril e a segunda a 06 de maio.




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