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Vídeo: Os políticos deviam ir a Palaçoulo para uma lição de bem governar

Numa pequena aldeia no interior transmontano exportam-se pipas e facas para os mais longínquos cantos do mundo, não fecham empresas, há oferta de emprego e investimento na expansão de negócios.

Vídeo: Os políticos deviam ir a Palaçoulo para uma lição de bem governar
Lusa 16 de Julho de 2012 às 11:28
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A crise não passou ao lado de Palaçoulo, mas o empreendedorismo que fez uma revolução industrial no século XX com actividades artesanais parece ter contornado as dificuldades nacionais.

"Os políticos deviam vir aqui a Palaçoulo tirar um curso de bem governar", diz o presidente da junta de freguesia, Manuel Gonçalves, lamentando que os decisores nacionais não tenham "a noção do que é" esta aldeia raiana do concelho de Miranda do Douro.

Palaçoulo tem menos de 600 habitantes e um dinamismo industrial que superou o isolamento a partir de recursos próprios e que cedo descobriu o caminho das exportações, conseguindo assim aguentar o embate da crise.

Manuel Gonçalves é também empresário, exporta 80 por cento dos pipos que produz na Tacopal para Espanha, América Latina, França, Alemanha e Irlanda do Norte.

Tem dez postos de trabalho, que quer aumentar com um investimento de meio milhão de euros, que está a realizar para a expansão e certificação da tanoaria.

"É nas alturas difíceis que se deve apostar, não é nessas alturas que devemos baixar os braços, porque se os baixarmos é morte certa", diz o empresário, que se dedica também à construção civil.

A maior empresa local de tanoaria, a JM Gonçalves, atingiu o auge da facturação, em 2009, com quatro milhões de euros, mas em 2010 sofreu uma quebra "entre 10 a 12 por cento", consequência da redução no mercado do vinho europeu, que representa 70 por cento das exportações, segundo disse à Lusa um dos sócios, Sérgio Gonçalves.

Seis irmãos gerem a empresa e tiveram de fazer "ajustamentos", reduzindo custos e dispensando cinco trabalhadores a contrato.

Mantêm 39 postos de trabalho e "a empresa e os resultados estáveis", garantiu o sócio, adiantando que, em 2011, já cresceram "três por cento em relação ao ano anterior" e com previsões de "continuar a crescer em 2012".

Os Estados Unidos dão actualmente o maior cliente, que permitiu equilibrar os resultados face à quebra no mercado europeu, onde Espanha lidera as compras desta empresa (40 por cento), que exporta também pipas para Austrália e Nova Zelândia e já vendeu a Singapura.

Na maior fábrica de cutelaria, a FILMAM, as vendas mantêm-se, como os 20 empregados, mas aumentaram os custos, porque os clientes não têm fundo de maneio para 'stocks', o que obriga os vendedores a deslocarem-se mais vezes para conseguir encomendas.

Tal como a maioria das empresas locais, também esta é de base familiar e três irmãos constituem agora a quinta geração de gestores com 17 inovações patenteadas, a mais emblemática das quais uma faca/garfo.

Apostam na investigação própria, de que resultam soluções para a produção, desde maquinaria ao sistema de aquecimento dos 1.500 metros quadrados da fábrica feito à base do serrim (restos de produção) e queimadores "inventados" na casa.

Têm cerca de 150 produtos diferentes e clientes em Espanha, Alemanha, Angola, Moçambique, Suíça, Luxemburgo ou Lituânia.

Francisco Cangueiro é artesão há 32 anos e vive, com a mulher e o filho, "desafogadamente exclusivamente disto": as facas e a talha em madeira.

O preço das suas peças variam, entre cinco e 500 euros", regra geral, e nas que notou alguma quebra foi nas mais baratas, mais procuradas pela classe média.

O artesão garante que "foi pior o ano passado do que este" e tem "a sensação de que o pessoal está a perder um pouco o medo e as coisas estão a recuperar".

A pujança das actividades tradicionais é partilhada por outros ramos de negócio, como o restaurante de António Cangueiro, lotado à hora de almoço, num dia de semana.

"Isto não é nada, ao fim de semana, só com reserva", garantiu à Lusa.

A comprovar o que diz, estão as contas das "entre 100 a 150 refeições diárias" que serve e que no ano passado renderam "167 mil euros".

Tem seis pessoas a trabalhar e precisava de mais duas, que não consegue arranjar.

Todos os produtos que serve no restaurante são produzidos pela família num negócio herança do trisavô, a que acrescentou uma cozinha regional com venda de fumeiros e outros produtos.


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