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Von der Leyen diz a populistas para olharem à volta, incluindo para Portugal

A presidente da Comissão Europeia afirmou-se hoje "orgulhosa" com os muitos exemplos de solidariedade e humanidade na Europa na resposta à pandemia da covid-19, incluindo em Portugal, e exortou os populistas a inspirarem-se nestas ações.

JOHANNA GERON
Lusa 16 de Abril de 2020 às 11:26
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"Não se pode ultrapassar uma pandemia desta escala e com esta velocidade sem a verdade. A verdade sobre tudo: os números, a ciência, as perspetivas, mas também as nossas próprias ações", declarou Ursula von der Leyen, num debate no Parlamento Europeu, em Bruxelas, sobre a resposta da União Europeia à propagação da covid-19.

Apontando que "é verdade que ninguém estava verdadeiramente preparado para isto", a presidente do executivo comunitário assumiu que "também é verdade que demasiados não estavam lá a tempo quando a Itália precisava de uma mão amiga no início de tudo", pelo que, "nesse caso, é verdade que a Europa, como um todo, oferece um sentido pedido de desculpas" aos italianos.

"Mas dizer simplesmente desculpa só conta para algo se tal mudar comportamentos. E a verdade também é que não levou muito a que todos se consciencializassem de que temos de nos proteger uns aos outros para nos protegermos a nós próprios. E a Europa é agora o coração pulsante da solidariedade mundial", defendeu, dando de seguida vários exemplos.

Von der Leyen afirmou-se "orgulhosa de ser europeia", ao ver que "paramédicos da Polónia e médicos da Roménia salvam vidas em Itália, ventiladores da Alemanha fornecem suporte de vida em Espanha, hospitais na República Checa tratam pacientes de França, e doentes de Bérgamo são levados de avião para clínicas em Bona".

"Na verdade, temos visto cada peça de equipamento ir em todas as direções através da Europa, de quem o pode dispensar para quem dele necessita", referiu.

A presidente da Comissão advertiu então que "ainda há quem aponte o dedo e sacuda as culpas, e outros que preferem falar como populistas em vez de dizerem verdades impopulares".

"A esses eu digo: parem e tenham a coragem de dizer a verdade. E, se precisarem de inspiração, olhem para a forma como os europeus estão unidos, com empatia, humildade e humanidade. E eu presto tributo a todos eles. Dos motoristas de entregas aos fornecedores de alimentação, dos lojistas aos empacotadores das fábricas, e aos que batem palmas à janela. Às empresas que mudam as suas linhas de produção para fabricarem os fornecimentos de que tanto precisamos. Eu presto tributo aos voluntários portugueses que cosem máscaras para os seus vizinhos, ao pianista grego de sete anos que compôs uma 'valsa de isolamento' para animar as pessoas. E, acima de tudo, agradeço e presto tributo aos nossos heróis: os médicos, enfermeiros, prestadores de cuidados de saúde", declarou.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 133 mil mortos e infetou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 436 mil doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Por regiões, a Europa somava hoje 88.760 mortos (mais de um milhão de casos), Estados Unidos e Canadá 28.139 mortos (642.688 casos), a Ásia 5.265 mortos (149.027 casos), o Médio Oriente 5.147 mortos (110.372 casos), a América Latina e Caribe 3.355 mortos (74.394 casos), a África 874 mortos (16.285 casos) e a Oceânia 79 mortos (7.692 casos).

Em Portugal, morreram 599 pessoas das 18.091 registadas como infetadas.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa quatro mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.
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