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Yellen: Será "provavelmente adequado" subir juros já em Março

A presidente da Fed confirmou as expectativas e no discurso no Clube de Chicago sustentou que se os progressos da economia americana persistirem será "provavelmente adequado" decretar um novo aumento dos juros já na reunião do banco central agendada para os dias 14 e 15 deste mês.

14º Janet Yellen, 345 notícias - A presidente da Fed foi uma das protagonistas do ano nos mercados, devido à expectativa de subida de juros que só acabou por concretizar em Dezembro.
Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 03 de Março de 2017 às 18:07
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Com base nas notas do discurso que a presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, Janet Yellen, iniciou às 18:00 em Lisboa no Clube de Chicago, é muito provável que o banco central americano decrete um novo aumento dos juros já no encontro que a Fed tem agendado para os próximos dias 14 e 15 de Março. 

Segundo o discurso citado pela agência Bloomberg, Yellen defenderá que, tendo em conta a progressiva melhoria das condições e ganho de robustez da maior economia mundial, é "provavelmente adequado" aumentar a taxa de juro directora já em Março, hipótese para a qual também concorre o facto de os riscos externos (abrandamento da economia chinesa e incerteza política) terem "aparentemente retrocedido". 

A líder da autoridade monetária reiterou ainda a intenção de continuar a subir de forma gradual o custo do dinheiro nos Estados Unidos, intenção que acabou por não ser cumprida. Depois de, em Dezembro de 2015, a Fed ter decretado o primeiro aumento dos juros desde 2006 - elevando a taxa de referência do intervalo entre 0% e 0,25% para 0,25% e 0,5% - só voltou a subir o preço do dinheiro já em Dezembro do ano passado.  

No último ano e meio foi crescendo a especulação em torno do momento que a Reserva Federal escolheria para voltar a subir os juros, o que foi sendo adiado devido a circunstâncias várias como a incerteza política internacional, o arrefecimento da economia global ou ainda as eleições presidenciais que tiveram lugar em Novembro do ano passado. Sendo que o principal factor terão sido os dados económicos revelados no primeiro trimestre de 2016 que ficaram aquém das perspectivas dos analistas.

No entender de Yellen, os riscos que pendem sobre a economia americana estão relativamente equilibrados, pelo que antecipa que os juros devem continuar a aumentar progressivamente até por forma a evitar um crescimento excessivo da inflação. 

"Actualmente não vejo nenhuma evidência de que a Fed se tenha deixado ficar para trás e, portanto, continuo confiante na nossa apreciação de que a remoção gradual [das políticas] acomodatícias é provavelmente adequado", lê-se nas notas do discurso de Yellen reproduzidas pela Bloomberg. 

No entanto, desta feita a intenção da Fed não passa por uma subida gradual dos juros tão lenta quanto foi inicialmente estipulado, intenção esta que estará sempre dependente da própria evolução económica. Yellen notou que "a menos que surjam desenvolvimentos inesperados que afectem negativamente as perspectivas económicas, o processo de recuo acomodatício não deverá ser tão lento como no último par de anos". 

As actas relativas à primeira reunião da Reserva Federal desde a tomada de posse de Donald Trump, divulgadas em 22 de Fevereiro, já denunciavam a intenção do banco central em prosseguir a política monetária de subida de juros, em princípio logo a partir do presente mês de Março.

A Bloomberg sustenta que uma subida dos juros já em Março deixa a Fed bem colocada para ainda em 2017 atingir o objectivo definido pelos membros do banco central em Dezembro último, e que passa pela realização de três aumentos dos juros ao longo deste ano.

(Notícia actualizada pela última vez às 18:41)

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