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Zona Euro cresce ao ritmo mais lento em mais de dois anos arrastada pela indústria

O crescimento da Zona Euro em Outubro foi o mais tímido desde Setembro de 2016, penalizado pela actividade da indústria e exportações, que está a acusar o "peso"da guerra comercial.

Reuters
Rita Faria afaria@negocios.pt 24 de Outubro de 2018 às 10:21
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É mais um sinal de abrandamento na região da moeda única. Os dados do PMI (índice de gestores de compras) compósito da Markit Economics, que mede a actividade da indústria e dos serviços, mostram que a Zona Euro cresceu, em Outubro, ao ritmo mais lento em mais de dois anos, pressionada sobretudo pela desaceleração da actividade industrial e das exportações.

Segundo a estimativa rápida divulgada esta quarta-feira, 24 de Outubro, o PMI desceu de 54,1 pontos, em Setembro, para 52,7 pontos, em Outubro, o nível mais baixo em 25 meses (leituras acima de50 pontos indicam expansão, enquanto leituras abaixo desse limiar indicam contracção).

O valor apurado em Outubro ficou abaixo de todas as estimativas compiladas pela Bloomberg, e poderá descer ainda mais já que a expectativas das empresas em relação ao crescimento futuro deslizaram para o nível mais baixo em quase quatro anos.

Este mês, o abrandamento foi liderado pela indústria, com a produção das fábricas a aumentar só de forma ligeira. O ganho de produção mensal foi o mais fraco desde Dezembro de 2014. No entanto, o crescimento da actividade do sector dos serviços também desacelerou para um mínimo de dois anos.

Phil Smith, economista da IHS Markit, descreveu os dados como "desagradáveis". A reacção do mercado também foi clara, com o euro a cair para o valor mais baixo em dois meses, na véspera da reunião de política monetária do BCE.

"Os dados levarão a uma leitura desconfortável no BCE", afirma Chris Williamson, economista-chefe da IHS Markit. "O PMI caiu para um nível que seria historicamente consistente com uma inclinação da política monetária para o lado acomodatício", acrescenta o responsável, numa altura em que o banco central, pelo contrário, se prepara para terminar com o seu programa de compras de activos e subir os juros, daqui a cerca de um ano.

Parte do comportamento dos dados da indústria pode reflectir o desempenho do sector automóvel, onde a produção tem sido travada por novos testes de emissões, embora algumas empresas também estejam a sentir o impacto da turbulência nos mercados emergentes.

Contudo, Williamson considera que a desaceleração é mais abrangente e que a ameaça de uma guerra comercial "obscureceu o ambiente económico global e levou a uma maior aversão ao risco".

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