Mundo Brasil preparado para os maiores protestos desde o início das manifestações

Brasil preparado para os maiores protestos desde o início das manifestações

Grades a proteger edifícios públicos, tapumes nos bancos, ruas bloqueadas à espera de protestos em 24 Estados.
Brasil preparado para os maiores protestos desde o início das manifestações
Reuters
Negócios com Lusa 20 de junho de 2013 às 23:00

Uma semana depois de ter assistido às maiores e mais violentas manifestações desde os anos 90, o Brasil preparava-se ontem, ao final do dia, para mais uma noite agitada, com acções de protesto marcadas em 24 estados e em mais de uma centena de cidades. As acções foram convocadas pelas redes sociais e as autoridades prepararam-se para o maior protesto conjunto desde o início do mês.

Segundo o Globo on-line, no Rio de Janeiro, o Palácio da Guanabara – sede do governo do Estado – foi protegido por grades a toda a volta e as agências bancárias um pouco por toda a cidade taparam portas e montras de vidro com tapumes. Na capital, Brasília, onde os confrontos também já atingiram níveis elevados de violência, a Polícia Militar bloqueou todos os acessos ao Congresso Nacional.

Os protestos foram anunciados em Rondônia, Amazonas, Tocantins e Pará, no norte do país, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, no centro-oeste, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, no sudeste, Pará, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no sul e Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e baía, no nordeste, além do Distrito Federal.

De acordo com os eventos criados na Internet, capitais como São Paulo e Rio de Janeiro deverão ser palco de protestos. E isso apesar de estarem entre as 11 cujas autoridades anunciaram o anúncio da revogação do aumento das tarifas após o início das manifestações contra os aumentos dos transportes. "Será para comemorar, mas vamos lembrar também as pessoas que estão sofrendo processo judicial por terem sido presas durante a manifestação, a criminalização dos movimentos sociais", disse à Lusa a estudante Mayara Vivan, 23 anos, integrante do Movimento Passe Livre de São Paulo. Os activistas afirmam que protestam também pelas cidades que não reduziram o custo das passagens.

Recorde-se que os protestos começaram no início de junho em São Paulo, exclusivamente contra a subida das tarifas dos transportes públicos, mas estenderam-se a outras cidades no Brasil e até a outros países.

A repressão policial às manifestações motivou outras pessoas a saírem à rua pela paz e pelo direito de manifestação, bem como outras queixas, entre as quais a corrupção e a falta de transparência.

Em particular, as manifestações criticam os elevados gastos com a organização de eventos desportivos como o Mundial de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, em detrimento de outras áreas como a saúde e na educação.

Ontem, a Câmara dos Deputados decidiu adiar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 37) que poderá restringir a investigação criminal à polícia, retirando esse poder ao Ministério Público. A proposta, que seria votada no próximo dia 26, tem sido criticada durante as manifestações que se alastraram pelo país nas últimas semanas.




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