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Greve de professores causa desilusão nos alunos e gera confusão nas escolas

A greve dos professores foi marcada pela desilusão dos alunos impedidos de realizar o exame de 12º ano de Português, mas também pela tentativa de invasão de salas de aula e por provas realizadas em ginásios e refeitórios.

Bruno Simão/Negócios
Lusa 17 de Junho de 2013 às 14:59
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Segundo o ministro da Educação, os alunos que hoje se viram impedidos de realizar o exame de Português, irão fazer a prova a dois de Julho, às 9:30.

 

Às nove da manhã de hoje, meia hora antes do início da primeira prova do 12º ano, eram poucos os que sabiam se iriam ou não conseguir realizar o exame de Português, para o qual se inscreveram cerca de 75 mil alunos.

 

Pouco depois, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Mário Nogueira, anunciava que a adesão era superior a 90%, um número corroborado pela Federação Nacional de Educação (FNE).

 

No entanto, o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, garantiu que "mais de 70% dos alunos realizaram exames" e na maioria das escolas a prova foi realizada por todos os estudantes inscritos.

 

A sorte dos estudantes variou consoante a escola em que estavam inscritos: Se, na maioria, todos realizaram exames, também houve estabelecimentos onde ninguém fez a prova (como a Escola Gonçalo Zarco, em Matosinhos, ou os estabelecimentos algarvios de Faro e Tavira), e outros onde só alguns a conseguiram fazer (como a Secundária Luís de Camões, em Lisboa, ou a Escola Sá de Miranda, em Braga).

 

Segundo relatos das duas maiores estruturas sindicais (FNE e FENPROF), houve ainda quem realizasse a prova em ginásios e refeitórios. A Lusa encontrou ainda escolas onde os alunos tentaram invadir as salas onde os colegas estavam a fazer os exames, depois de se aperceberam que eles não os iriam poder fazer.

 

Alguns alunos da Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, manifestaram-se contra o facto de não terem podido fazer o exame e após terem sido mandados sair da escola, muitos concentraram-se junto ao portão principal em protesto, tentando entrar novamente na escola, para exigir que nenhum aluno fizesse exame.

 

Os professores, que começaram por fazer uma greve ao serviço de avaliações, decidiram agendar uma paralisação geral para hoje para contestar o regime de requalificação profissional e a mobilidade geográfica proposta pelo Governo, bem como o aumento do horário de trabalho de 35 para 40 horas semanais.

 

Face à ausência de acordo entre Governo e sindicatos, um colégio arbitral decidiu pela não realização de serviços mínimos. Mas a guerra entre ministério e professores manteve-se com acusações mútuas sobre a responsabilidade de deixar os alunos em suspense.

 

Para a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), que tinha pedido no sábado a anulação das provas de hoje, Nuno Crato perdeu hoje "toda a credibilidade" ao permitir situações como as denunciadas pelos sindicatos.

 

A greve dos docentes marcou assim a época oficial de exames de Ensino Secundário que começou hoje com o grande exame de Português, para o qual estão inscritos 74.407 alunos, realizando-se também provas de Latim (108 inscritos) e de Português Língua Não Materna (para imigrantes), com 136 alunos.

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