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Hanushek: Se a educação em Portugal fosse tão boa como na Polónia, os salários cresceriam 15% todos os anos

A conclusão é de Eric Hanushek, da Universidade de Stanford, que fez hoje uma intervenção numa homenagem organizada pelo Banco de Portugal a José da Silva Lopes.

Bruno Simão/Negócios
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 14 de Dezembro de 2015 às 18:30
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O especialista concentrou-se no potencial de crescimento da economia portuguesa, caso aposte e reforme o seu sistema escolar. Hanushek começa por mostrar que os resultados conseguidos nos testes PISA, realizados pela OCDE, têm uma forte correlação com o crescimento económico. "A história recente [de Portugal] mostra que há enormes resultados na melhoria das escolas. E ela é possível […] mas exige um comprometimento contínuo", afirmou.

 

Claro que, se melhorarmos as escolas agora, o impacto imediato será praticamente nulo, porque "os miúdos ainda estão a estudar". No entanto, o que aconteceria nos ao longo de 80 anos? Hanushek faz o exercício de colocar Portugal ao nível da Polónia nos testes PISA, realizados a 510 mil alunos de 15 anos em 65 países, sobre o desempenho nas áreas da matemática, leitura e ciência. "Não é algo pouco provável – Portugal está hoje a meio da tabela, perto dos Estados Unidos -, mas representa uma subida de 25 pontos nos testes", explica. "Isso significaria [em 80 anos] 340% do PIB português e salários 15% mais altos em cada ano durante 80 anos."

 

O especialista norte-americano nota que, embora seja um salto exigente, não é impossível de ocorrer, recordando que "Portugal foi um dos países que mais melhorou nos testes PISA nos últimos 15 anos".

 

O que se pode fazer então para melhorar? Não existem fórmulas mágicas, mas Hanushek dá algumas pistas. Conclui que passar mais tempo na escola pode parecer positivo, mas só é relevante se a educação for boa. Isto é, se ajustarmos o número de anos de escolaridade com os testes PISA, a escolaridade deixa de ter relação com o crescimento económico. Além disso, refere ainda que gastar mais dinheiro nem sempre é um sinónimo de melhores resultados.

 

Por último, Hanushek trouxe algumas ideias mais polémicas e até presentes no debate actual em Portugal, defendendo, por exemplo, a realização de exames centralizados. "É o mesmo que ter um negócio sem saber o lucro e o prejuízo. É difícil saber se estamos a melhorar ou a piorar". Argumentou também que se deve fomentar a autonomia e descentralização das escolas, assim como a avaliação dos professores. "Se substituíssem os 5% piores professores, seriam a Polónia."

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