Educação Ministro da Educação quer privilegiar a qualidade "em detrimento da cultura da nota"

Ministro da Educação quer privilegiar a qualidade "em detrimento da cultura da nota"

O ministro da Educação explicou esta terça-feira as medidas anunciadas nas últimas semanas que integram o novo modelo de avaliação. Tiago Brandão Rodrigues acredita que a mudança era "urgente" e que o modelo se vai focar na aprendizagem.
Ministro da Educação quer privilegiar  a qualidade "em detrimento da cultura da nota"
Bruno Simão
Liliana Borges 12 de janeiro de 2016 às 18:51

Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, não se mostrou indiferente aos comentários das últimas semanas depois do anúncio do fim dos exames do 4.º e 6.º ano. "Falou-se muito nas últimas semanas das múltiplas alterações do processo de avaliação nos últimos anos. O que acontece é que houve modificações normativas, mas só nos últimos quatro anos houve uma ruptura na continuidade no foco da avaliação e no modelo de avaliação. E isso é extremamente importante", analisa. O ministro sublinhou também que "não é um modelo assente em opiniões". 

"O insucesso escolar é o maior entrave ao progresso das qualificações e a mobilidade social", reconheceu. Com o novo modelo de avaliação, o ministro acredita que haverá um combate ao "estreitamento curricular", causado pela concentração e preparação para os exames de Português e Matemática. O ministro defendeu a necessidade de "combater a ideia de que o Português e a Matemática são disciplinas estruturantes" e quer "o privilégio da qualidade em detrimento da cultura da nota".

O ministro, que antes de assumir a pasta da Educação era investigador da Universidade de Cambridge falava esta terça-feira, 12 de Janeiro, a fim de clarificar as medidas anunciadas durante a última semana, de forma a garantir a "estabilidade", reforçando que há uma confiança "nas escolas e em toda a comunidade educativa". "O que estava a acontecer é que a escola se estava moldar ao processo de exames. Isso é altamente pernicioso e é algo que não queremos fazer" afirmou, invocando a existência de estudos nacionais e internacionais.


Provas de aferição não exigem preparação

"Ninguém tem de se preparar para as provas de aferição", destacou o ministro, desvalorizando o impacto do novo modelo na organização do estudo dos alunos do 2.º, 5.º e 8.º ano que irão realizar as provas. 

Tiago Brandão Rodrigues destaca que o novo modelo pretende concentrar a sua visão na "melhoria das aprendizagens" e no processo de "detecção das dificuldades", obtida através das provas de aferição no 2º, do 5º e do 8º ano de escolaridade. As provas são universais e obrigatórias e deverão ter lugar já no final do corrente ano lectivo e constituem, segundo o ministro, "uma intervenção atempada" das dificuldades existentes a meio dos três ciclos do ensino básico. 

"Não há nenhum ímpeto reformista", garantiu, afastando as críticas de que o Governo tem sido alvo depois da comunidade escolar ter sido surpreendida a meio do ano lectivo com a introdução deste modelo. "O modelo anterior não estava só errado, mas era acima de tudo nocivo". O ministro destacou que esta é também uma forma de enviar aos professores a mensagem de que a prioridade é ensinar e não preparar para os exames.


Exames do 9.º ano mantêm-se, por agora

Para já, o exame do 9.º ano manter-se-á, uma vez que "fecha o ciclo do Ensino Básico e é uma certificação", avalia o ministro, destacando que existirá uma equipa de avaliação de implementação do modelo. "Não é nosso intuito mudar o modelo, mas estaremos sempre abertos ao diálogo com os nossos parceiros".

Confrontado com o comentário do primeiro-ministro, António Costa, que durante o primeiro debate quinzenal recomendou a Paulo Portas a leitura do programa do Governo onde "não consta a eliminação das provas" do 6.º e 9.º, o ministro da Educação negou que o modelo anunciado contrariava as afirmações do primeiro-ministro. O ministro da Educação aproveitou para qualificar e ler o programa do Governo aos jornalistas: "reavaliar a realização de exames nos primeiros anos de escolaridade, prática sistematicamente criticada pelas organizações internacionais com trabalho relevante na área da educação, aprofundando a sua articulação com a avaliação interna".

"É muito importante dizer que não se muda apenas o que se tem de mudar para cumprir o programa, mas acima de tudo não temos medo de mudar, para que essa mudança possa cumprir o programa", reforçou.

O ministro anunciou ainda que a partir desta quarta-feira, 13 de Janeiro, se irá reunir com os directores de agrupamentos escolares, de norte a sul do país, para apresentação do modelo integrado de avaliação externa das aprendizagens no Ensino Básico.

(Notícia actualizada às 19:57)




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