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Querer já 50% dos alunos na via profissionalizante é "precipitado"

A Associação Nacional de Professores do Ensino Profissional (ANPEP) considerou que o Governo está a agir de uma forma "precipitada" ao pretender que 50% dos alunos do 10.º ano de escolaridade sigam, já este ano lectivo, a via profissional.

Lusa 22 de Agosto de 2012 às 19:08
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"Sinceramente, não sei como será possível pensar isso, a não ser que se vá brincar um pouco com estes números. O ministro fala em aumentar os cursos de aprendizagem, mas ainda não nos chegou essa informação. Estamos a trabalhar no terreno do desconhecido", disse a presidente da ANPEP, Teresa Fonseca.

Para a dirigente, levar 50% dos alunos à via profissionalizante, no próximo ano lectivo, é "completamente impensável", tendo em conta que Portugal tem actualmente 110 mil alunos no ensino profissional e os alunos no ensino secundário rondam os 350 mil.

"Em cursos de dupla certificação já vai havendo um número substancial de alunos, mas não chega aos 50%", acrescentou, referindo que o aumento do número de discentes por turma, para 30, também dificulta a meta proclamada pelo ministro Nuno Crato.

"Estamos muito na base da especulação, na base daquilo que pensamos que vai acontecer. Tem saído muita legislação depois do final do ano lectivo [anterior], com pouco tempo de preparação das escolas e do corpo docente para aquilo que o ministro quer. Parece-me que está a ser tudo feito de uma forma precipitada", frisou a dirigente da ANPEP, em declarações à agência Lusa.

Após um encontro com parceiros sociais, para discutir a proposta governamental de reprogramação do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) - que assume como vectores gerais o reforço dos apoios ao emprego e aos desempregados e o estímulo às empresas-, ministro da Educação disse que "chegar aos 50% na parte da escolaridade obrigatória no ensino profissional é um objectivo que faz sentido para o país" e considerou-o possível "ainda este ano".

"É evidente que as escolas acabam por ter de dar resposta, se forem obrigadas a fazê-lo. Agora, quando queremos fazer as coisas com qualidade e uma forma estruturada, temos de dar tempo às escolas para se organizarem. Um ano lectivo não se prepara em agosto, começa-se a preparar em Fevereiro ou Março do ano anterior, respondeu a presidente da ANPEP.

Teresa Fonseca sublinhou mesmo que o país tem os centros de emprego "cheios de indivíduos com quase nenhuma qualificação, o que dificulta a sua integração no mercado de trabalho", mas assinalou que "não está traçada ainda, de uma forma clara, uma linha de acção em relação a esta matéria. Citou, a propósito, dúvidas sobre "quem vai agarrar" a formação de adultos, nomeadamente a ministrada no âmbito dos centros Novas Oportunidades.
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