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160 trabalhadores da Carfer encontram fábrica fechada a cadeado

Os 160 trabalhadores da fábrica de malhas "Carfer", em Esposende, cumprem hoje o horário laboral na rua, já que a administração fechou os portões da empresa a cadeado, na sequência do anúncio de insolvência feito na sexta-feira.

Negócios com Lusa 09 de Fevereiro de 2009 às 11:35
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Os 160 trabalhadores da fábrica de malhas "Carfer", em Esposende, cumprem hoje o horário laboral na rua, já que a administração fechou os portões da empresa a cadeado, na sequência do anúncio de insolvência feito na sexta-feira.

"De acordo com a comunicação realizada pela administração a 06 de Fevereiro, e face à apresentação em tribunal da empresa à insolvência, informamos que todos os trabalhadores estão dispensados de se apresentarem no seu posto de trabalho, por tempo indeterminado", lê-se num comunicado distribuído, ao início da manhã, pelos operários que estavam concentrados à porta da fábrica.

No entanto, os trabalhadores prometem continuar a cumprir o horário laboral à porta da fábrica, uma vez que a insolvência apenas lhes foi comunicada "de boca" e "não houve qualquer despedimento formal".

"Às tantas, o que queriam é que nós não viessemos para depois nos acusarem de ter faltado sem justificação e nos despedirem por justa causa", insurgia-se uma trabalhadora.

Segundo Manuel Sousa, do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes, o administrador financeiro daquela fábrica, do grupo Quinta & Costa, comunicou sexta-feira aos operários "para não se apresentarem mais ao trabalho", porque a fábrica iria fechar.

"Reunimos em plenário nesse mesmo dia e decidimos que os trabalhadores continuarão a apresentar-se normalmente ao serviço, porque não houve qualquer despedimento formal, nem qualquer carta nem qualquer documento para o desemprego", acrescentou Manuel Sousa.

"Para todos os efeitos legais, os trabalhadores são funcionários da fábrica", disse ainda. Na Carfer, que existe há 40 anos, trabalham 160 pessoas, na maioria mulheres, mas há também sete ou oito casais cujos rendimentos provêm exclusivamente daquela fábrica. É o caso de Beatriz Faria e do marido, que trabalham ali há mais de 30 anos e que, de repente, se vêem "de mãos a abanar" e com "um futuro cheio de incertezas".

"Temos dois filhos, um com 20 anos e outro com apenas seis. O subsídio de desemprego acaba num instante. E depois, o que vou fazer? Vou viver de quê? Aos 43, quem me dá emprego?", questionava, com angústia, Beatriz Faria.

Gracinda Costa tem 44 anos, trabalhava na Carfer há quase três décadas, é mãe de dois filhos de 12 e 18 anos e é o único sustento da família, já que o marido não trabalha. "Ninguém imagina a mágoa e tristeza que uma pessoa sente quando chega a um local onde trabalhou toda a vida e encontra os portões assim, fechados a cadeado", atira. Os trabalhadores garantem que a fábrica "não tinha falta de encomendas" e lamentam a forma "fria, seca e desumana" como foi anunciado o seu despedimento, através do administrador financeiro.

"Demos tudo por esta fábrica, e agora o patrão nem sequer teve a dignidade de vir falar directamente connosco. E estamos a falar de uma pessoa que foi fundador do Lions de Barcelos, foi vereador na Câmara de Barcelos, é presidente do Conselho Consultivo do Hospital de Barcelos", criticavam os trabalhadores.

A Lusa tentou insistentemente falar com a administração da fábrica, mas sempre sem sucesso.

Os trabalhadores terão sido informados, na sexta-feira, que ao longo dos próximos dez dias serão chamados um a um à empresa, para oficializar o despedimento. Nos últimos dois anos, o pagamento dos salários na Carfer nunca foi feito dentro do prazo legal.

Os trabalhadores tinham convocado uma greve para hoje, para exigir o pagamento dos salários de Janeiro, mas esses salários foram pagos na sexta-feira, precisamente minutos antes do anúncio do fecho da fábrica.

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