Emprego Banco de Portugal vê salários a subir com a falta de mão-de-obra

Banco de Portugal vê salários a subir com a falta de mão-de-obra

A economia está a crescer há cerca de cinco anos, mas só desde "meados de 2016" é que se começou a ver uma subida das remunerações, diz o Banco de Portugal. A pressão do lado da oferta é o factor principal.
Tiago Varzim 11 de outubro de 2018 às 13:10
O Banco de Portugal vê um maior crescimento dos salários no período recente, tanto em Portugal como na Zona Euro. Essa evolução era esperada pela maior parte dos economistas, mas demorou a chegar. Para o banco central o mercado de trabalho já chegou a uma situação em que a oferta começa a escassear face à procura das empresas. 

Em Portugal, "os salários deverão acelerar no conjunto do ano, nomeadamente em resultado da redução da taxa de desemprego, do aumento do salário mínimo nacional e do descongelamento gradual das progressões salariais na administração pública", considera o Banco de Portugal no Boletim Económico de Outubro divulgado esta quinta-feira, dia 11 de Outubro.

A previsão do banco central é que o emprego cresça 2,3% este ano (menos 0,3 pontos percentuais do que a previsão de Junho) - em linha com o crescimento de 2,3% do PIB - e que a taxa de desemprego desça para os 7% (menos 0,2 pontos percentuais do que a previsão de Junho). Estes dois factores irão pressionar os salários. 

Neste momento, a taxa de desemprego em Portugal já é inferior à média da Zona Euro, distanciando-se de países como Itália ou Espanha. Os dados mensais do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para uma taxa de desemprego estabilizou em 6,8%.



Os dados mostram que houve um aumento da utilização da capacidade produtiva e uma redução dos indicadores de subutilização do trabalho. Os vários indicadores que estimam a evolução salarial em Portugal mostram uma tendência ascendente (ver gráfico em cima).

A variação das remunerações por trabalhador desce no primeiro semestre, mas por causa de um efeito de comparação: já não há duodécimos de 50% do subsídio de natal na função pública, sendo este todo pago em Novembro.

Esta tendência ascendente dos salários também é visível no conjunto da Zona Euro onde o efeito "desemprego", ou seja, da falta de oferta, é o principal determinante da subida das remunerações por empregado (ver gráfico em baixo). Esta aceleração salarial começou em meados de 2016, mas tem vindo a intensificar-se e está também a ter efeitos na evolução dos preços (inflação).

"Os resultados das negociações salariais mais recentes sustentam as previsões do Eurosistema de aceleração continuada nos próximos anos", antevê o Banco de Portugal, assinalando que as próprias expectativas dos agentes económicos têm sido revistas, "aproximando-se da sua distribuição em 2008".



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