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Carvalho da Silva preparou saída da CGTP

A 1 de Maio de 2011, Carvalho da Silva falou pela 25ª vez às dezenas de milhares de pessoas que confluem anualmente na Alameda, em Lisboa, para comemorar o Dia do Trabalhador. Este foi também o seu último discurso por ocasião do 1ºdeMaio. O Negócios, há cerca de um ano, antecipava a substituição de Carvalho da Silva.

Negócios 27 de Janeiro de 2012 às 14:04
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É público desde, pelo menos, o congresso da CGTP realizado em 2008 que Carvalho da Silva cumpre o seu último mandato à frente da maior central sindical do País. Porém, à medida que se aproxima o final do mandato, evidenciam-se os sinais de afastamento gradual do secretário-geral. Deliberadamente, Carvalho da Silva tem vindo, de forma crescente, a partilhar o espaço mediático com aquele que é apontado como o seu mais provável sucessor – Arménio Carlos–, ao mesmo tempo que tem insistido internamente na necessidade de se preparar a renovação e sucessão de quadros.

Carvalho da Silva – que chegou a anunciar numa reunião da Comissão Executiva da CGTP, realizada no final de 2009, a sua intenção de abandonar o cargo de secretário-geral antes do fim do mandato – está decidido a liderar a intersindical até ao seu XII congresso, que se realizará em Janeiro de 2012, em Lisboa.

Mas, conforme vem repetindo nas reuniões da Comissão Executiva, defende que, a partir do Verão, se inicie uma transferência parcial e gradual de tarefas e responsabilidades para aqueles que serão os futuros dirigentes.

Simultaneamente, Carvalho da Silva tem já planos profissionais muito concretos fora da Inter: investigar e ensinar. Carvalho da Silva, que se doutorou em 2007, dará aulas na Universidade Lusófona, função que acumulará com a de investigador no Centro de Estudos Sociais (CES) de Lisboa, ao lado de figuras como Boaventura Sousa Santos e Diana Andringa.

Sucessão: o tabu da CGTP

A sucessão é um tema desconfortável para os dirigentes da intersindical. Quando questionados, a resposta é quase sempre a mesma: o assunto ainda não foi discutido.

Carvalho da Silva nem quis comentar. Arménio Carlos também não, mas deixou uma justificação: “O assunto nunca foi discutido. Nós funcionamos em colectivo”, explicando que a decisão será tomada, por voto secreto, pelo Conselho Nacional que sairá do próximo congresso.
A discrição não é menor junto dos líderes das correntes minoritárias que só se adiantam sobre o perfil desejável do futuro líder: Ulisses Garrido (independentes) lembra que “é preciso garantir a autonomia e independência da central sindical em relação a todas as organizações, designadamente as partidárias”.

Carlos Trindade (socialistas) diz que o futuro secretário-geral “deve ser uma pessoa que ponha em primeiro lugar os interesses dos trabalhadores; que tenha uma percepção muito fina do sentidode unidade e de democracia interna; e que tenha um bom relacionamento humano”.

Arménio Carlos não está sozinho nesta corrida subterrânea. Graciete Cruz, responsável pelas relações internacionais, e Mário Nogueira, líder da poderosa federação sindical dos professores (Fenprof), perfilam-se como possíveis sucessores. Se este último dispensa apresentações pela sua forte exposição mediática, já Cruz não é conhecida do grande público.

Tal como Arménio Carlos, também Graciete Cruz conta com fortes apoios dentro do PCP, sendo até a preferida por alguns sectores. Porém, a dirigente que substituiu o

heterodoxo Florival Lança é receada pelas correntes minoritárias, que também querem ter uma palavra a dizer na escolha do futuro líder.

Carvalho da Silva: o último defensor da heterogeneidade?

Entre independentes, socialistas e bloquistas, é ponto assente que o novo secretário-geral será, tal como Carvalho da Silva, da corrente comunista, que é a dominante. Mas há comunistas e comunistas, dizem. Carvalho da Silva soube respeitar as correntes minoritárias, garantem os próprios.

A sua independência trouxe-lhe, aliás, desentendimentos sérios coma direcção do PCP e apressou a sua saída da liderança.

Agora, a grande dúvida é a de saber como ficará o equilíbrio de forças dentro da CGTP.

A questão ganha ainda maior premência com a saída de outro peso pesado dos independentes: Ulisses Garrido vai abandonar a Comissão Executiva da central Sindical para ocupar o cargo de director da formação no Instituto Sindical Europeu.

Tudo isto num contexto de grande renovação geracional da central sindical, a maior dos últimos tempos: é que se é verdade que o último congresso já assistiu à saída de nomes de vulto – como José Ernesto Cartaxo–,agora as mudanças serão mais profundas, já que muitos membros abandonarão a Comissão Executiva por terminaremos seus mandatos à frente de federações e uniões sindicais. É o caso de Francisco Brás, do influente sindicato dos trabalhadores da Administração Local. Todos sabem que o futuro equilíbrio de forças dependerá muito do secretário-geral que for eleito pelo Conselho Nacional saído do próximo congresso.

Mas, o jogo de forças começa antes – já começou há muito tempo – e o próprio secretário-geral será um resultado desse (des)equilíbrio.

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