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Desemprego em mínimos de 4 anos e meio ou a maior destruição de emprego dos últimos 50?

Os partidos da maioria falam de um "país melhor" do que em 2011, a UGT diz que os dados vão no bom sentido, já a oposição fala de números mascarados, com o PS a acusar o governo de ter feito "a maior destruição de empregos em 50 anos". A queda da taxa de desemprego anunciada pelo INE foi pretexto para conclusões muito distintas no mundo político.

Miguel Baltazar/Negócios
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 05 de Agosto de 2015 às 18:14
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Os números do Instituto Nacional de Estatística (INE), que revelaram uma acentuada queda da taxa de desemprego entre o primeiro e segundo trimestre, de 13,7% para 11,9%, situando-a no valor mais baixo dos últimos quatro anos e meio (é preciso recuar ao quarto trimestre de 2010 para encontrar uma taxa mais baixa), foram pretexto para conclusões muito distintas no mundo político.


Os partidos da maioria dizem que são reflexo de um "país melhor", ao passo que a oposição fala de números fabricados, com o PS a acusar o governo de ter feito "a maior destruição de empregos em 50 anos". A UGT, por seu lado, considera que os dados vão no bom sentido.

"Hoje temos um país melhor do que em 2011 em resultado de um trabalho muito difícil realizado por todos, pelos portugueses, parceiros sociais, empresas mas também pelo governo", afirmou Marco António Costa em nome do PSD. "Hoje há mais produção industrial e exportações do que em 2011, há mais confiança dos consumidores, o clima económico está mais elevado, há mais crescimento económico" e "há e haverá mais emprego e menos desemprego", disse, concluindo que hoje "Portugal pode ter mais esperança no seu futuro".


Sobre o facto de o nível de emprego estar mais baixo, em parte devido à imigração, o porta-voz dos social-democratas começou por dizer que se trata de um fenómeno anterior – entre 2006 e 2012 terão saído do país um total de 350 mil pessoas, referiu – mas reconheceu que teve um "ligeiro crescimento" nos últimos anos, concluindo que criar condições para o regresso desses emigrantes "é um desafio muito grande" para o governo.


Antes, a deputada do CDS, Cecília Meireles, dissera que os números da taxa de desemprego "fazem história na história destes últimos quatro anos". Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade, Trabalho e Segurança Social salientou, por seu turno, que "Portugal deu a volta e tem hoje uma taxa de desemprego inferior àquela que tínhamos em 2011 e que está próxima da média da Zona Euro".


Segundo os cálculos do Negócios com base nos dados do INE, no segundo trimestre de 2015 havia menos 219 mil pessoas a trabalhar, e menos 38 mil desempregados do que quando no segundo trimestre de 2011, após o qual se iniciou a actual legislatura e a entrada da troika.

Considerando que menos pessoas a trabalhar significa menos postos de trabalho, Ana Catarina Mendes, do PS, afirmou que "há hoje menos 218 mil empregos desde que este Governo tomou posse. É a maior destruição de emprego em Portugal dos últimos 50 anos. Não tem nenhum paralelo no estado democrático em Portugal". A parlamentar socialista citou ainda o INE para sublinhar que há "1,128 milhões de desempregados portugueses, mais 87 mil do que no segundo trimestre de 2011 e, destes, apenas 268 mil têm subsídio de desemprego".


Luís Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, acusou o governo de "cinismo e hipocrisia", garantindo que este "foi o governo que destruir mais postos de trabalho: 150 por dia", e que os números do INE "são parciais", considerando que a taxa de "desemprego real é superior a 20%".

O mesmo afirmou Jorge Cordeiro, do PCP, segundo o qual os números estão "mascarados". "Os números do desemprego reflectem cada vez menos a realidade do mercado de trabalho". Segundo o que afirmou, "não é possível olhar para estes números sem lembrar os "500 mil portugueses que foram obrigados a emigrar". A este meio milhar, disse ainda, há que somar "os 250 mil inactivos que desejariam trabalhar e que não contam para a estatística e os 240 mil que estão em situação de subemprego".


Já Carlos Silva, líder da UGT, diz que os números vão no bom sentido e que não faz sentido estar a questionar os critérios para o apuramento da taxa de desemprego. "Temos consciência de que, para além dos cerca de 635 mil trabalhadores registados no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), mais de 300 mil pessoas emigraram, de que há muitos que deixaram de estar inscritos nos centros de emprego porque simplesmente deixaram de procurar emprego. Temos consciência disso, mas no dia em que se quiserem esgrimir os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do IEFP então alteram-se as regras do jogo e passam a contar todos".

O dirigente da sindical afecta ao PS demarcou-se do discurso do partido e sublinhou que "se é para dizer mal e o bota-abaixo" não contem com a UGT, uma vez que "já há aí muita gente que diga mal". "Nós temos que dizer bem daquilo que há que dizer bem. Quando piorar, nós cá estaremos para malhar no Governo e em quem quer que seja que esteja no poder", assegurou.


A CGTP alinhou com a mensagem do PCP, ao considerar que os números da taxa de desemprego hoje divulgados não correspondem à realidade. "Passados quatro anos, a destruição de postos de trabalho foi brutal. Em comparação com o período homólogo de 2011, quando este Governo entrou em funções, foram mais de 220 mil postos de trabalho destruídos. O Governo diz que a descida é histórica, mas o que é histórico é a destruição de emprego", disse Armando Farias à agência Lusa.

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