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Guia para procurar emprego na Europa

Às vezes o mais difícil é pegar a ponta do fio de uma meada. Tentámos facilitar-lhe o trabalho. Boa sorte!

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 20 de Março de 2012 às 17:04
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A crise está a forçar muitas empresas portuguesas a procurarem clientes para os seus produtos em destinos cada vez mais longínquos. E o mesmo está a acontecer a quem tem “trabalho” para vender.

Como o intuito de facilitar a árdua tarefa a quem quer – ou tem de – procurar emprego fora do país, preparámos um pequeno guia na expectativa de dar conhecer alguns dos pontos de partida possíveis para encontrar uma oportunidade num outro país da União Europeia. À distância de um clique.

EURES

É o grande portal europeu da “mobilidade profissional” que oferece oportunidades de emprego, de estágio, de formação e também informação essencial sobre como é viver e trabalhar, com os respectivos direitos e deveres, em 31 países europeus (aos 27 da União Europeia, juntam-se Noruega, Islândia, Liechtenstein e Suíça).

O portal funciona em rede – em Portugal as suas actividades estão integradas no Instituto do Emprego e Formação Profissional – e dispõe de um motor de busca que lhe permite orientar a sua selecção por tipo de emprego, duração, e país (e região) desejados.

As ofertas de emprego são actualizadas em tempo de real longo do dia, bem como o número de currículos e de empregadores, públicos e privados, registados.

Para lhe dar um exemplo do que poderá encontrar, em 20 de Março de 2012 as ofertas de emprego ascendiam a mais de 1,39 milhões. Tendo em conta os últimos dados do Eurostat, que estimam o universo de desempregados na UE em 24,3 milhões, isso significa que haverá mais de 17 candidatos a cada oferta de emprego disponibilizada pelo portal. É um rácio elevado, mas não desanime...

O Eures permite que se inscreva gratuitamente, criando o seu CV, que depois é tornado acessível aos empregadores registados e aos mais de 800 conselheiros da rede Eures, que prometem ajudar os empregadores a encontrar os candidatos adequados.

Há ainda o portal do emprego que oferece oportunidades por cá e na Europa comunitária, ainda que não muitas: cerca de 900 para mais de 75 mil candidatos registados (informação em 20/03/2012).

Encontrámos também alguns sites de empresas privadas de recrutamento à escala europeia. Aqui estão dois exemplos que oferecem motores de busca relativamente sofisticados: o Eurobrussels, vocacionado para actividades que circulam em órbitra da União Europeia e das suas políticas, e o Eurojobs que oferece leque muito mais alargado de oportunidades de trabalho.

EURODESK

É o portal que centraliza informação europeia direccionada para os mais jovens e para os profissionais da área de juventude.

Aqui poderá saber como pode participar no Programa Sócrates ( Erasmus ), continuar os estudos noutro país comunitário, participar num intercâmbio para trocar experiências e conhecer diferentes culturas ou obter informações sobre actividades de voluntariado nos vários países da União Europeia.

Em Portugal, o Eurodesk é difundido através do Instituto Português da Juventude e seus parceiros das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

Neste momento, e até 31 de Maio de 2012, estão, por exemplo, abertas candidaturas ao “Erasmus para Jovens Empreendedores” . O programa destina-se a ajudar os novos empresários a “enriquecer as suas experiências, facilitar a sua aprendizagem e potenciar a criação de redes entre empresários europeus” financiando estágios em empresas de empresários mais experientes da UE.

Fora da União Europeia, mas sedeado em Estrasburgo onde reúne mensalmente o Parlamento Europeu, o Conselho da Europa é outro organismo internacional onde há algumas ofertas de emprego e de estágios, ainda que muitíssimo concorridas.

Se quer alargar o seu raio de busca a outros continentes ou a instituições internacionais como a ONU, tente aqui.


TRABALHAR PARA A UNIÃO EUROPEIA
O portal chama-se Trabalhar “na” União Europeia, mas, na realidade, é mais “para” a UE.

Recentemente criado pelo centro de informação Jacques Delors, aqui pode encontrar as ofertas de trabalho de todas as instituições da União, com concursos para funcionários permanentes (carreira geral) e concursos para funcionários não permanentes (agentes temporários, agentes contratuais, peritos nacionais destacados e especialistas).

As vagas são escassas, a concorrência é seguramente grande, como é também a perspectiva de uma carreira ou experiência interessantes.

A título de exemplo, aqui pode encontrar o concurso para o lugar de “Especialista Político/Analista Económico” procurado pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) que fecha a 30 de Março de 2012. Local de trabalho: Londres; contrato: 3 anos; remuneração mensal de base: 7.127,99 euros. Nada mal…

Se quiser ter uma ideia mais precisa das oportunidades de carreira que as instituições europeias lhe oferecem e do tipo de provas usado nos procedimentos de selecção clique aqui.

Se for mais jovem e quiser dar uma espreitadela directamente aos concorridos e bem afamados estágios oferecidos pela Comissão Europeia clique aqui. Tenha em mente que, em regra, os estágios têm duas “épocas” por ano, sendo que o prazo para apresentação de candidaturas termina em 1 de Setembro para os estágios com início no mês de Março do ano seguinte, e em 1 de Março para os estágios com início em Outubro.



DIREITOS E DEVERES

Pode encontrar aqui informações relevantes e muito práticas, designadamente sobre como pode procurar trabalho no estrangeiro sem perder o subsídio de desemprego que eventualmente esteja a receber, como é feito o pagamento de impostos e como são obtidas as autorizações de residência.

RESOLVER CHATICES BUROCRÁTICAS

É muito provável, para não dizer certo, que algures no seu percurso se depare com dificuldades burocráticas, ou porque não lhe reconhecem as qualificações académicas/ profissionais ou porque lhe pedem para pagar impostos a dobrar. Se suspeita que o seu problema se deve a um problema de aplicação da legislação comunitária que enquadra os seus direito e deveres, o SOLVIT pode ajudar.

Há um centro SOLVIT em todos os Estados-membros da União Europeia (assim como na Noruega, na Islândia e no Liechtenstein) aberto a cidadãos e empresas. Os Centros estão sedeados na Administração Pública nacional – em Portugal estão na dependência do Ministério dos Negócios Estrangeiros – e prometem, e muitas vezes cumprem, “soluções reais para problemas concretos, num curto espaço de tempo – dez semanas”. O SOLVIT não trata de queixas meramente nacionais. Tem obrigatoriamente que haver dois Estados-membros envolvidos. Ah, e é gratuito!
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